Eu sou diferente e vc?


Diferente não é quem o pretenda ser. Este é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados. Para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não agüentarem, caso um dia venham a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.

O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido com ele por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias são adiadas; esperanças são mortas. Um diferente medroso, este sim acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.

Os diferentes muito inteligentes entendem por que os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porque de quem o agride.

O diferente começa a sofrer cedo, desde o curso primário, onde os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns professores por omissão (principalmente os mais grossos), se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial, em aleijão e caricatura.

O diferente carrega desde cedo apelidos e carimbos nos quais acaba se transformando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.

Os diferentes aí estão: enfermos; paralíticos; machucados; gordos; magros demais; bonitos; inteligentes em excesso; bons demais para aquele cargo; excepcionais; narigudos; barrigudos; joelhudos; pé grande; feios; de roupas erradas; cheios de espinhas; de mumunha; malícia ou baba; os diferentes aí estão, doendo e doando, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.
A alma dos diferentes é feita de uma luz além.

A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes.

Jamais mexa com o amor de um diferente.

A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois... 



(desconheço o Autor, infelizmente)
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Depressão Pós-filho


Eu reagi com muita força na descoberta da doença de meu filho.
Tive uma força sobre humana, ajudei muito gente com ela, mas com o tempo acabei percebendo o quanto não deu certo.

Eu nunca respeito meu tempo,nunca respeitei nada que viesse de mim e dessa vez não foi diferente.
Eu não me permiti sentir a dor necessária, eu não deixei o meu luto falar, não exteriorizei ele, eu o adormeci dentro de mim.
Numa situação dessas, todo mundo espera uma mãe desesperada, perdida, que fica chorando, lamentando, querendo que o mundo se acabe para q ela se acabe tbm.
E eu não deixei eu fazer isso, não me permiti.
Por um tempo, acreditei que fosse a melhor coisa que eu estava fazendo, eu era uma mulher forte, um exemplo de luta, determinação, eu era feliz.
Sim, por um tempo a vida caminhou bem, mas as noites sem dormir, a sensação de ter q largar a minha vida q nem era vida, até pq eu estava querendo morrer, foi me fazendo mal.
Eu passei a sentir "raiva" do meu filho, raiva de ter q fazer tudo na hora, de ter q seguir as regras q o autismo exige, raiva de eu não poder ser eu mesma.
Eu tinha um filho normal, daí, ele 'morreu', eu ganhei outro filho no lugar e eu não aceitei a maternidade q esse filho me oferecia.
Ela não era o q eu esperava para mim. E, ao contrário de uma mãe que espera 9 meses por um filho, eu esperei mais de 3 anos para entender como seria ser mãe do meu e isso me trouxe tristeza, revolta, muita raiva de Deus, da vida, das pessoas que tinham um filho normal e eu não. 
Eu sonhava com meu filho falando, sonhava com meu filho brincando como uma criança normal e chorava, sofria, sentia ainda mais raiva por não tê-lo.
Ter que entender q mesmo ele tem 3 anos ele não dormiria bem, não dormiria sem ser na minha cama, q ele não come sozinho, q ele não tem como ensiná-lo
ainda a deixar as fraldas me fazia mal a cada dia.
Eu trabalhava até às 19hs, me trancava no quarto, fugia dele noites a fio. Chorava pq meu marido ia trabalhar e me deixava sozinho com ele. Foi o pior momento da minha vida. Eu  sentia que
não amava  meu filho e eu sabia disso.
A vasta experiência q eu tive numa comunidade do orkut, sempre observando, sempre tentando ajudar mulheres com depressão pós-parto me ajudava a compreender q eu estava numa ocasião semelhante.
Observando que eu me identificava com muitas coisas q as via descrever foi que eu compreendi q precisava de ajuda.
Procurei meu psiquiatra q é uma droga, claro e fui atrás dos meus remédios.
Eu sabia q eles não me ajudariam em nada. Como uma perfeita bipolar eu sempre acho os remédios uma estupidez, mas eu precisava fazer isso não por mim,
mas pelos meus filhos.
Eu sabia tbm que enquanto eu não me resolvesse dentro de mim, enfrentasse meus conflitos e PARASSE de segurar a dor de não me conformar em ter um filho especial dentro de mim, eu não teria forças para viver.
Então, fui aceitando essa raiva, esse ódio, essa revolta, deixei ela aflorar.
Senti raiva do mundo, senti raiva de Deus, senti tudo o q eu podia sentir e fui tentando explicar para mim mesma que era só disso que eu precisava.
Fiz, não sei se fiz bem, eu não tinha tempo para esperar uma terapeuta ajudar, meu trabalho é puxado, depois tem as rotinas do Artur, tem a Laura tbm, eu fui me virando sozinha como sempre.
Aos poucos fui aceitando que ao contrário do q eu fiz no começo, eu podia sonhar, fazer planos, acreditar numa melhora de meu filho.
E eu fui melhorando, o relacionamento com ele foi ficando melhor, ele é muito carinhoso e beijoqueiro, ficou fácil fácil me amolecer. rsrs
Qdo a gente tem um filho e sente "ódio" dele sabe q pode estar com depressão pós-parto, é triste demais, a gente perde o rumo, se sente um monstro, mas de repente, sentir isso de uma criança especial, as coisas tomam uma proporção gigantesca, mais cruel e desumana e se eu não me conhecesse o suficiente para compreender q já estava em outra crise depressiva e não procurasse ajuda e,o mais importante: ME ajudasse, nada estaria bem novamente.
Hj eu estou muito feliz, coloquei a meta de parar de olhar um pouco para meu filho como deficiente, como autista, tenho tentado tratá-lo mais como uma criança normal, pq de tanto me focar nisso, eu já não sabia mais se ele fazia certas coisas pq é especial ou apenas pq é criança e tem
dado certo.
Estou muito, muito feliz, satisfeita, a voz do meu filho não me irrita, saio do trabalho e venho direto pra casa, tenho seguido a rotina dele dentro das minhas limitações e estamos indo muito bem.
 Tive muito receio de colocar essa postagem aqui, mas sabe, essa sou eu, criei esse blog para falar sobre a minha viagem como mãe. Não vou esconder isso de vcs, até pq não poderia esconder de mim, a pessoa mais interessada no assunto.
O mais interessante disso tudo é que eu sofri calada, talvez as pessoa mais próximas tenham notado que eu não estava bem, outras eu até me senti à vontade para dizer, mas a maioria das pessoas do meu convívio nunca poderiam imaginar que a minha vida é assim, que eu sou assim.
Vai ter quem se assuste, vai ter quem se identifique, vai ter quem me ache mesmo um monstro. Mas eu sou apenas a Roberta, mãe do Artur e da Ana Laura que está tentando ser mãe da melhor maneira possível, a mãe q eu sei ser, a mãe que quer crescer com seus filhos.

Beijos
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Seguir em frente


E o barco da vida segue.
O que era desconhecido ontem, fez parte de nossa realidade hj e o que era uma provável realidade ontem, não é tão dolorida e limitada como é hj.
Um dia meu filho era 'normal', no outro era autista. Hj ele é o Artur.
Com suas limitações que a cada dia são superadas.
Ontem eu tinha mil fotos do sorriso do meu filho, depois ele não sorria mais.
Eu precisava tirar mais de 20 fotos e rezar para que no intervalo delas ele sorrisse e eu conseguisse captar.
Hj eu tenho a sensação de meu filho estar voltando, hj é só ele ver a luz da máquina e do flash que abre o sorriso mais lindo do mundo. \0/
Hj tbm ele voltou a dizer "AQUi = ARRIII" qdo a gente pergunta onte está o Artur.
Claro que isso não me traz falsas expectativas, mas traz muitas expectativas sim!!!
Recentemente vi meu filho dando cambalhotas sozinho, vejo meu filho chutando e sorrindo para uma bola, vejo meu filho brincando com um carrinho de maneira correta, vejo ele sorrir, vejo ele pedir com gestos o DVD q ele gosta, escolher qual filme quer ver, ensinei-o a acender a luz, a mudar de canal no controle remoto, ele nos chama para dormir, ele pede suco, leite, comida, vejo meu filho progredindo a cada dia e isso tem nos deixado muito felizes e esperançosos.
Eu quero um filho independente, mesmo que ele não seja do jeitinho que eu sonhei um dia.
Por ele eu mudei a minha vida, mudei os meus sonhos e por ele eu vivo hj e sempre.

Não deixo mais de sonhar, não adormeço mais meus sonhos, eu apenas mudei eles e é assim q tem q ser.

Beijos.
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Feliz dia dos Pais




Houve dias em que eu era muito triste com meu pai.
Não concordava com a forma q ele levava a vida e muito menos como nos criava.
Brigávamos, eu era muito malcriada, não só com ele, mas com minha mãe tbm.
Depois que eu tive meus filhos, eu vi tudo com outros olhos.
Aprendi que por mais que a gente não consiga sempre, a gente tem q tentar deixar o q passou para trás, seguir em frente e é isso que eu tento fazer.
Todos nós temos a nossa missão nessa vida, todos nós temos uma lição para aprender e é o q eu tento fazer.
Como eu disse, não dá certo sempre, não sou perfeita, acabo me descuidando, mas hj eu consigo ao menos entender que eu tenho q ser uma boa filha para meus pais.
Principalmente meu pai, q divergimos tanto.
Aprendi a olhar as situações de maneira diferente e respeitar suas decisões.
Somos resultados de nossas escolhas, não adianta e vcs não fazem ideia do quanto me fez bem entender q o fato de eu achar que meu pai não foi como eu gostaria, não me daria o direito de não ser uma boa filha para ele.
E é o q eu tento fazer, ser, lutar e viver pra isso.
Entender suas necessidades, respeitar suas decisões e estar em harmonia para q possamos comemorar juntos suas e minhas vitórias.
E é esse o conselho que eu deixo para meus amigos hj: Sejam bons filhos, independentemente de terem tido ou terem bons pais.
Eu amo meus pais, amo meu papai querido. Joguei tudo de ruim fora e só fiquei com as boas lembranças, com o amor dele, q por mais que muitas vezes tenha me parecido esquisito, era amor, é amor sempre.
Obrigada por existir papai, obrigada por mesmo q de longe e talvez até mais de longe, sem trocar uma palavra sequer, me ensinar a ser alguém melhor muitas vezes!!!

Eu te amo!!!!

Daí a gente entra no pai dos meus filhos, né?
Gente, já disse mil vezes aqui: ele não é pai, ele divide a maternidade comigo.
Ele é quem fica com o Artur e a Laura qdo eu não posso estar e faz com que a minha ausência seja imperceptível para meus filhos.
 Ele merece cada sorriso, cada comemoração, todos os méritos de um pai perfeito.

E é pra vcs dois hj que eu dedico minha postagem, minha homenagem e deixo grande parte de meu amor: os Pais que amam seus filhos, que entendem suas necessidades e q não fazem seus filhos de instrumentos para ferir as outras pessoas, pais presentes, pais de se doam, pais que mesmo de longe amam, não deixam seu lugar vago.
Pais q SABEM ser pais.


Feliz dia dos pais !!!!

Nós amamos vcs!!!

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Vontando aos poucos.


Existem alguns episódios em nossa vida onde a gente tem q saber q hora correta de bater retirada.
Umas vezes são para sempre, outras apenas momentâneas.
Algo de extrema importância em nossas vidas é aprender entrar e sair de uma situação. Com amor, com respeito e dignidade para com os envolvidos.
E foi isso que eu fiz.
Fiquei um mês fora do blog.
Eu não estava bem.
Isso é fato!!!
Mas eu não podia fazer como todas as outras vezes: esperar eu chegar ao fundo do poço para procurar ajuda.
Finalmente, olhando para dias atrás, vejo o quanto aprendi e ficou claro para mim que o auto conhecimento é tudo.
Ao longo dos anos, aprendi a lidar com os sintomas de minha 'doença'. A gente vai aprendendo sentir o 'cheiro' dela, vai identificando as horas difíceis e aprende q se entregar não resolve nada.
Se um dia eu disse aqui q existem duas formas de enfrentar um momento difícil, hj eu tbm aprendi que às vezes vc não sabe ou não está com vontade alguma de lidar com o momento difícil.
Mas hj, hj eu cresci, eu sou mais, eu sou maior do q a minha dor na maioria das vezes.
Hj eu tenho o Artur.
Todo filho nos trás crescimento interior, nos trás uma superioridade inexplicável, mas o um segundo, um filho q exige mais atenção é muito bom.
Eu me vi adoecer antes de acontecer, eu me vi desistir antes de perder e corri atrás.
Procurei recuperar a minha fé, recuperar meus sentidos e seguir em frente.
O legal é q eu estou ótima, Artur está ótimo e minha vida está muito melhor.
Estamos bem e felizes e aqueles dias escuros não existem mais, adormeceram.
O luto se foi!!!!
Obrigada para quem soube me esperar.
Desculpe se meu momento ruim pareceu muito negativo, mas não se tem o controle de tudo sempre, não é?

E eu voltei!!
Firme, forte, terna, carinhosa, refeita e feliz!!

Até mais !!!!
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