Com a palavra, o pai!!!


Sei que sumi gente, mas estou enrolada até o pescoço.
Tanta coisa, tantas preocupações, acaba que me perdi toda com a minha inspiração.
Ah pouco mais de um mês eu decidi falar sobre a parte do pai na questão do autismo.
Acho legal falar sobre os pais 'que ficam' e enfrentam a vida complicada de uma viagem especial.
Como uma amiga de outro blog já disse: Falar do pai bunda mole e coração duro que não aguentou e foi embora é fácil, é óbvio demais.
Hoje eu quero falar do pai do meu filho, de como ele enfrentou tudo e não foi fácil.
Para isso, terei q voltar um pouco à questão de quando não tínhamos nosso filho ainda.
Era início de 2007 e como já comentei aqui, não estava bem.
Uma crise depressiva acompanhada de uma Síndrome do Pânico me acometeu e eu fiquei mto mal.
Assim, meu marido acabou assumindo mtas das minhas responsabilidades, eu só vegetava na cama ou na frente do computador.
Nesse ano tbm, o seu pai que tinha diabetes teve uma piora em sua saúde.
Resumindo a situação, ao entrar em casa, meu marido se deparava com a seguinte cena: eu jogada no sofá, inerte, deprimida, sem vontade de nada e no outro sofá, seu pai, doente, com seus últimos dias de vida.
Hoje eu sinto mto por não ter conseguido ser forte o quanto ele precisava nesse momento, mas tbm sei q eu tentei dar o meu melhor, fiz o qto pude. Não fiquei totalmente alheia ao que acontecia.
No começo deste ano tbm, meio que misteriosamente, desenvolvi o desejo de ser mãe novamente e falei com meu marido.
A princípio ele disse não, eu chorei, pedi, argumentei e para ver se eu melhorava de tanta tristeza, ele aceitou, mas ele não queria outro filho.
Após o falecimento de seu pai e a perda de mais uma pessoa querida da família, eu engravidei.
Não, não estávamos bem, eram dias ruins, dias bons, dias melhores, dias piores.
Engravidei durante minhas férias, numa tentativa de recomeçarmos nossa vida .
Como contei aqui recentemente, foi uma felicidade sem tamanho, mas ele não queria ter outro filho.
Foi mesmo uma gravidez estranha. Mas ele sempre, sempre me deu força.
Eu gosto de uma coisa em meu marido, além de todas as outras coisas, claro rsrs
Ele é uma pessoa que termina o q começa. Então, qdo nosso filho nasceu, ele por mais q não desejasse passar por tudo novamente, assumiu seu papel de pai dignamente.
Tudo corria bem com o desenvolvimento de nosso filho, até que meu marido começou a sentir diferenças.
Mas, por eu não estar bem de saúde novamente, ele não se sentia à vontade para falar comigo, ele tbm não fazia ideia do q poderia ser e apenas um dia me disse q nosso filho poderia ser surdo, coisa q eu desaprovei com indignação, ou seja, fechei uma porta na cara dele para tocar no assunto.
Então, mais tarde, eu desconfiei de tudo, que nosso filho não estava bem e qdo falei, ele me disse q se sentiu aliviado para tocar no assunto.
Foi tudo tão louco, foi tudo tão devastador, acabava de passar um furacão em nossas vidas, estávamos nos reerguendo e de repente desabou tudo novamente.
Perguntei antes de postar aqui o que meu marido sentiu quando soube do autismo as minhas seguintes dúvidas:

- O que vc sentiu qdo falei q nosso filho poderia ser autista?
- Eu senti medo e alívio ao mesmo tempo.

- Como foi aceitar tudo isso?
- Foi doloroso, me senti culpado, pensei mtas bobagens, uma delas foi de ser castigado, afinal, eu não queria ter outro filho de modo algum, foi difícil aceitá-lo. Chorei pq eu não quis um 'normal' e agora tinha um com dificuldades.

- Teve vontade de desistir e ir embora?
- Nunca!

Cada pessoa tem uma forma de analisar a mesma questão.
Enquanto eu pensava que toda a minha rejeição ao bebê durante a gravidez pudesse ser algum tipo de premonição, de pressentimento, meu marido achava que tudo poderia ser um 'castigo'  por não querer outro filho.

Mas, eu Roberta e acredito que meu marido vá concordar comigo, é que, independentemente dos desejos, dos medos e dos anseios, o amor predomina tudo, interfere e resgata tudo.

Não, meu marido não sente mais culpa por ter um filho especial, compreendemos juntos q isso é alheio a nossa vontade, que isso é apenas uma forma que a vida, Deus encontrou para nos unir, para fazermos o melhor para nosso crescimento e nossos filhos
Não, eu não me sinto culpada, eu não tenho culpa e hoje eu sempre me pergunto pq as pessoas precisam tanto de um culpado ou de um castigo.

Não precisamos viver presos a estes costumes.
Não não fomos castigados, não nós que sempre nos amamos e lutamos para fazer o bem um ao outro.
Não, não temos culpa, até pq ter um filho com necessidades especiais não é resultado de um mau comportamento nosso não é castigo, falta de sorte.
Ter um marido ao nosso lado, que nos apóia e que acredita em nós, na vida e em melhoras é fundamental.
Acaba que um apóia o outro em sua dor. 
Sinceramente não sei o que eu faria se meu marido não acreditasse na possibilidade do autismo, achasse q era loucura minha já que eu estava numa fase 'louca'.
Mas não, ele me apoiou, ele soube reconhecer a diferença entre o comportamento de nosso filho e de outras crianças e eu nunca me senti sozinha nessa vida depois disso.

Hoje, sentimos um cheirinho de estabilidade em nossas vidas e sempre que podemos, tentamos ajudar quem não consegue ter.

Não, não é fácil para meu marido ceder de tudo para cuidar de seu filho com a dedicação que ele faz.
Mas ele faz, pq ele é ótimo em terminar as coisas que começa como eu já disse.
Ele me inspira e me fortalece mto, talvez sem ele, eu não teria a calma que tenho para mtas coisas. 
Estamos felizes hoje, as coisas não são com sonhamos um dia, as coisas não serão como planejamos, mas a nossa união, o nosso amor por nossos filhos nos permite sonhar, trilhar novos rumos, fazer novos planos, ensinar nossos filhos que não importa o caminho, a dificuldade, o amor tem e sempre vai triunfar.
Bem, o que eu queria mesmo era mostrar o lado do pai nessa histórias toda.
Quando comecei a pensar no assunto, vi que ele não é tão diferente de mim, que ele participa de muitas cosias que eu sinto e q temos basicamente as mesmas frustrações e que temos um mesmo ideal: Que nossa família seja mto feliz.
E espero que eu tenha conseguido mostrar um pai participativo, um pai que se transformou, um pai que sentiu e sente medo, um pai que sonha, um pai que se moldou por seu filho.
 Pq esse é o papai que o Artur e a Ana Laura tem ♥

Beijos
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