Minha consideração pessoal.





Foram quatro domingos.
Quatro reportagens sobre o tema autismo.
Antes de qualquer opinião pessoal, quero dizer que estou muito feliz por ver o autismo abordado de uma maneira mais profunda e abrangente.
Nunca fomos tão vistos, nunca estivemos tanto em evidência e isso é importante.
Mas, continuamos na mesma.
Olhando de maneira totalmente pessimista, ficou claro que quem tem dinheiro tem mais acesso a melhoras significativas, mas nós que temos um autista em casa sabemos que não é bem assim.
Autismo requer envolvimento, comprometimento.
O que seriam de nossos filhos sem isso?
Achei que algumas coisas não ficaram claras e gostaria de evidenciar e muito, pois recebi questionamentos de mães de recém-nascidos preocupadíssimas porque seus bebês não olhavam em seus olhos enquanto mamavam.
Achei que realmente faltou dizer que para se caracterizar uma criança dentro do espectro autista, é necessário uma avaliação muito profunda e abrangente.
Eis os sintomas frequentes, não que todos os autistas DEVAM apresentar, mas podem ser observados numa criança portadora de autismo:


Sei que é uma falha minha estar desatualizada sobre quantos dos sintomas a criança precisa apresentar para se enquadrar no espectro, mas no tempo em que eu desconfiava do autismo no meu filho eram pelo menos 8 (oito).
Vejam bem, não é apenas um sintoma.
O espectro autista costuma ser muito sutil em bebês, algumas crianças em sua maioria, manifestam após 1 ano e meio de idade.
E foi como aconteceu com meu filho.
Tínhamos contato visual, a parte neurológica era totalmente preservada, a parte motora dentro do normal e somente quando ele tinha 1 ano e meio é que achei estranho o fato dele não imitar os adultos, não dar tchau, não manter contato visual, não falar nada e, principalmente, não andar,  já que andava segurando pelas coisas desde os 10 meses.
Depois que tive acesso a muitas informações, pude identificar o autismo no meu filho bem antes do que tive o diagnóstico, mas era tão sutil que só com um alerta e conhecimento é que pude perceber.
Acho que foi uma das coisas que as reportagens pecaram.
Também foi muito triste ver que não termos perspectivas, ou seja, o sistema é falho, a lei não funciona e só.
As reportagens serviram apenas para que todos saibam o que já estamos cansados e massacrados de saber.
Foi muito lindo, maravilhoso ver as vitórias de nossos filhos, porque todo autista é um pouco nosso filho também.
Faltou dizer que temos dificuldades com diagnóstico justamente por falta de profissionais dedicados ao autismo.
Faltou dizer que existem estados em nosso país que sequer possuem psiquiatras, ou apenas 1 para atender o estado inteiro.
Faltou mostrar as soluções que nosso país busca para providenciar atendimento para nossos autistas, mas o  fundamental para nossos autistas, não faltou: AMOR.
Em cada olhar sofrido de pais, em cada beijo, abraço de um lutador do autismo ou um autista ficou evidente a quantidade de AMOR que emana através desa  luta.
E é assim que tem que ser.
Somos lutadores, somos semeadores do AMOR.
Não somos vítimas de nada que não o descaso, mas ele não pode e nem vai nunca atrapalhar o trabalho do AMOR.
Algumas vezes pode levar mais tempo, algumas vezes é rápido, algumas vezes pode levar até ao abandono, mas tem AMOR demais no mundo e sempre haverá um humano bem dotado para doá-lo.
Muitas vezes sinto-me só, desamparada, desassistida, mas são momentos raros, porque basta pensar em tudo o que eu aprendi, em tudo o que eu vivo, o sorriso do meu filho, seu olhar vivo, seu interesse pela vida, basta vê-lo fazer suas escolhas, suas exigências e até mesmo seus defeitos, nos amigos e parceiros que adquiri que eu vejo o quanto estou bem acompanhada e o quanto estou no caminho certo.
Aceitei meu filho, aceito suas dificuldades, batalho diariamente driblando minhas limitações, minha auto-piedade para dar qualidade de vida a ele e a minha retribuição, meu resultado sempre foi o sucesso.
Não tenho controle do futuro, não posso prever, fazer grandes perspectivas e isso é muito doloroso porque tenho consciência de que o mundo não é justo e bom.
Mas não posso viver em função desse medo, alimentar essa insegurança porque eu preciso pensar no meu filho.
Quem deveria sentir medo era ele, quem deveria sentir revolta era ele, quem deveria se sentir desamparado com sua situação é ele e eu só o vejo sorrir e tentar aprender.
No final vejo que quem tem muito mais a aprender somo nós, a dificuldade está em nós. Nossos autistas são básicos, simples,  humildes e humanos, nós que com nossa sabedoria é que queremos transformar tudo.
Eles vivem com o que tem, aprendem com o AMOR que dedicamos e isso independe da ajuda que temos ou não.
Creio que a única dica que eu tenho para dar é a de sempre: Procure ser o melhor que puder , aceitar seu filho como ele é. Não sinta dor por ele não se encaixar dentro dos padrões exigidos pela sociedade, ninguém se encaixa, apenas fingem muito bem.
Não se pergunte porque você, não pergunte sobre o futuro, não destrua seus sonhos, não faça nada além de amar e ensinar seu filho a buscar.

Como eu sempre digo:

ACEITE SEU FILHO COMO ELE É. DEPOIS ENSINE-O A BUSCAR O MELHOR QUE ELE PUDER SER.





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