E a vida caminha, corre e às vezes você tropeça, mas sempre se levanta


No mês passado fomos á consulta com o Suporte Nutricional.
Eu achava que estava tudo bem, Artur estava se alimentando bem.
Mas não, houve uma perda de peso significativa que atrapalhou todos os planos dos médicos.
Eles sempre tem ideias mirabolantes, sugestões, orientações, mas dessa vez eu fui enfática e disse: Chega!! Preciso de orientações dentro da realidade do Artur.
Ele não toma água, não aceita de maneira nenhuma a não ser quando toma banho, ele não come um monte de coisas hoje, no outro dia ele aceita e vice versa.
Falei também sobre o fato da demora na alimentação, sobre a dificuldade com a sopa na escola e sobre o meu receio de achar que não tinham paciência e tempo para esperar a demora dele ao comer na escola. Até porque a escola tem uma rotina a seguir.
Eles me ouviram, fiquei muito feliz, compreenderam que eu tenho feito muito a minha parte e me preocupo muito também, só que Artur é autista, é seletivo demais para comer e para tudo mais.
Eles fizeram uma orientação por escrito sugerindo que Artur só fosse à escola na parte da manhã e eu achei que seria melhor.
Dessa vez, eu fiz diferente duas vezes: No suporte e com a escola
De que adiantaria eu ir mais uma vez à outra cidade, perder tempo, dinheiro e não conseguir fazer nada das dicas e dietas mirabolantes deles?
E de que adiantaria ir à escola, levar esse papel?
A diretora com certeza me diria que precisaria da autorização da Supervisão de ensino na Secretaria de Educação, então resolvi adiantar nosso expediente e fui lá na Supervisão.
Gostei muito da recepção, do respeito com que fui tratada.
Expus meu problema, fiz meu pedido e ele foi prontamente atendido, só precisávamos esperar alguns dias até ela mesma, a responsável pelas crianças especiais da supervisão avisar a escola.
Enquanto eu conversava com a responsável, ela tocou no assunto do ocorrido da Festa Junina, disse-me que ficou sabendo através de uma outra mãe que a encontrou na rua. 
Eu fiquei chocada, porque eu fiz uma reclamação por escrito e imaginei que eles tivessem acesso a estar reclamação e na pior das hipóteses pensei que já que a diretora corrigiu as falhas que citei, não houvessem motivos para o assunto se alastrar.
Essa Supervisora ficou muito brava, falou que não gostou da atitude da Diretora e que iria lhe cobrar uma postura.
Então, já que ela tocou no assunto, eu contei tudo o que ouve e reforcei que foi meu desejo de que Artur não ficasse o dia todo na escola, simplesmente porque eu vi que houve a dificuldade de trocar uma fralda dele, imagina como seria com a dieta dele?
Sim, ela concordou comigo, me deu sugestões legais para  conseguir mais tempo com Artur e estou tentando.
Eu falei que eu não queria prejudicar ninguém, não queria grandes indenizações, quero apenas que a escola faça sua parte, porque eu estou me propondo a fazer a minha, corrigindo minhas falhas e sendo parceira atuante da educação inclusiva. Falei também que tenho plena consciência de que não sou somente eu que necessito dessa parceria, mas que a escola também. Meu filho faz parte de números, de estatísticas que formam um resultado e que se esse resultado não fosse positivo, eu não seria a única pessoa cobrada. Se eu decidir não levar mais meu filho à escola, o Conselho Tutelar irá me cobrar os motivos e se os motivos fossem falhas na inclusão, a escola também seria penalizada, sendo assim, a responsabilidade de dar certo é nossa. Ela concordou comigo.
Eu enfrentei coisas horríveis em escola, de gente despreparada, de gente que não merecia nem pisar no ambiente escolar, quem dirá coordenar uma escola, mas eu nunca quis levar vantagem nisso, eu apenas cometi um absurdo: ter q EXIGIR um DIREITO do meu filho, no mais, não tenho e não tive grandes ambições quanto às falhas alheias
No final das contas, como a cidade é pequena, a gente sempre sabe de tudo.
A Supervisora não ficou nada satisfeita com a confirmação e os detalhes de tudo o que houve durante a festa Junina e um dia, quando fui buscar meu filho na escola, notei de longe que o olhar da Diretora, mesmo me cumprimentando sorrindo, não era o dos mais satisfeitos com a visão de minha pessoa.
Acho que estamos indo bem.
Não posso reclamar da escola, ela não é o sonho da inclusão, mas a proposta que minha cidade tem de colocar estagiários pedagogia como auxiliares de crianças especiais é maravilhosa, pois depois disso, não se pode alegar falta de preparo e nem inexperiência.
Não posso reclamar sobre a inclusão do meu filho. Meu filho gosta de crianças hoje em dia, ainda não sabe brincar com elas como elas, mas ele as adora. O sorriso, o brilho nos olhos que ele tem quando vê uma criança é lindo, é maravilhoso.
Não posso dizer que meu filho não aprendeu nada lá: hoje ele segura um lápis, sabe para que ele serve, ele faz seus desenhos loucos, ele sabe que se desenha no papel. Ele hoje mesmo sem falar, canta as músicas que na escola cantam para ele e eu digo que ver seu filho murmurando, resmungando "Atirei o pau no gato! nunca foi tão maravilhoso como quando eu ouvi.
Eu não sou uma pessoa egoísta, sempre disse aqui que eu sou muito pés no chão e não curto ingratidão.
Lamento muito muitas escolas não serem assim, muitos humanos não estarem prontos para receber uma dádiva como meu filho e lamento muito muitas coisas.
Por tudo isso e muito mais, eu só tenho 2 agradecimentos a fazer: agradecer a sorte por ter algo de bom hoje para dizer sobre a inclusão do meu filho. E agradecer às mães que infelizmente não compartilham da mesma felicidade que eu, mas que compartilham sua dor pela internet, mostrando a realidade de nosso país. Pois foi me inspirando em muitas delas, que aprendi a lutar pelos meus direitos, mesmo morrendo de vergonha alheia em dizer: LUTAR por algo que já deveria ser NOSSO.


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