A terapia do amor


Na primeira consulta com a fonoaudióloga onde Artur faz tratamento há um ano e meio, ela nos disse: "- Eu não vou ensinar seu filho a falar".
Aquilo soou péssimo em nossos ouvidos, mas o que sabíamos sobre autismo, o que sabíamos sobre fonoaudiologia?
Como havíamos combinado que zeraríamos todas nossas expectativas, incluí a fala no zero tbm como vcs sempre leram aqui. Doía, mas eu sempre preferi acreditar q nunca aconteceria, afinal, o que viesse seria lucro.
Foram 1 ano e 6 meses de terapias uma vez na semana por meia hora. 
Eu sinceramente não posso falar como anda o tratamento, eu não tenho levado ele às terapias há qse um ano, mas faz muito tempo que o Ro não comenta q houve alguma orientação nova e nenhum progresso tbm.
Em casa, a terapia do amor tomou conta, dia após dia, noite após noite, insistências sem fim.
Artur hj sabe para que serve uma escova de dentes e foi em casa que aprendeu, sabe o que é uma escova de cabelos e foi a mamãe quem ensinou. Artur sabe imitar o papai e a mamãe, Artur hj olha para os cachorros e corre deles com medo, Artur hj brinca de pega-pega com as crianças e tudo isso ele aprendeu com a terapia do amor.
Não desmereço o tratamento, jamais, Artur é muito estimulado lá, mas é infinitamente mais produtivo o q ele tem aprendido em casa, na escola.
Mas a grande novidade não é nada disso.
Artur está demonstrando interesse em falar.
Hj eu compreendo como o Autismo prejudica a fala de quem o possui, a deficiência vem do cérebro e não da boca, da língua, de nada disso.
Então, decidi q Artur precisava compreender o q é falar.
Foi tanto tempo falando, repetindo, ensinando e hj Artur falou.
Não, ele não disse uma palavra se quer. Ele nos disse: Ahhhhhhhh!!! Por sua livre e espontânea vontade. Ele disse pq eu disse ahhhhh pra ele e ele repetiu. E mais, por diversas vezes terminou com uma repetição: pi-piiiiiiii! q não sabemos o q significa, mas pelo tanto q vezes q ele disse após o Ahhhh, ficou fofo demais.
Ele entendeu q ele pode, q é ele quem domina o som que sai de sua boca.
Notamos que todas as vezes q falávamos com ele, ele prestava atenção em nossa boca, colocava a mão nela e queria sentir o som sair. Então decidimos estimular ainda mais.
Diminuí ainda mais o tamanho das frases q dizia e e não surtiu o efeito desejado, a fala, mas percebemos q ele nos entende perfeitamente.
Ele sabe q é hora de comer qdo eu digo: Artur, papá.
Ele sabe q é hora do suco qdo eu digo: Artur, suco.
Ele tbm sabe q é hora de dormir qdo eu digo: Artur, nanar.
Sei tbm q não é interessante usar esse tipo de palavra com sons repetidos, mas eu preciso ele me compreenda e preciso ser breve.
O mais difícil nisso tudo é conseguir q eles façam a associação.
Então, hj ele sabe q não é para subir as escadas, sabe q precisa comer, beber, dormir, passear, ir na casa da vovó.
Estamos muito felizes com todos esses progressos.
Estamos ansiosos com o início das aulas tbm.
Como eu previa, dois dias após a minha postagem sobre o medo das mudanças da escola fui chamada lá para me informarem q a partir desse ano ele faz parte da pré-escola. 
A diretora e coordenadora notaram minha preocupação e disseram que terão muito, muito cuidado com a sua adaptação, que ele continuará com a auxiliar e caso ele não se adapte, procurarão uma melhor forma para resolver isso.
Eu já não tenho mais tanto medo. Artur progrediu demais na escola, em casa, estabelece um tipo de comunicação q não é o desejado, mas é totalmente aceito e fácil de compreender.
As alergias estão parcialmente controladas, temos muitas consultas marcadas para fevereiro, estou tentando tirar o atraso e vamos seguindo em frente.
Tropeçando hj, escorregando amanhã, nos levantando sempre e nunca desistindo de viver e se vamos viver, q seja com amor e para ser muito, muito feliz.
E hj eu fiquei me perguntado e cheguei à conclusão: não existe terapia melhor que a terapia do amor.



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BATER não é a solução em qualquer idade.


Nos últimos 3 anos de nossas vidas, a loucura tomou conta de nós.
As incertezas nos comandavam e a insegurança nos movia sempre.
Mas sempre quem esteve à frente de nossas preocupações foi o Artur.
Nunca nos esquecemos que tínhamos a Laura, mesmo apesar de seu silêncio em demasia.
Eu sempre disse ao Ro que adolescentes são assim, eu qdo tive meu quarto, amava ficar lá por horas lendo, escrevendo, pensando, vendo TV. Amava ser sozinha.
Nem por isso não a procurávamos para conversar, perguntávamos como foi seu dia, eu sempre dei entradas tbm para saber como ela se sentia.
Mas ela qse nunca falava algo.
Foram 3 anos girando em torno do Artur, antes disso eu fiquei doente, antes disso veio a gravidez e antes dela eu estava doente tbm.
Assim, a educação com Laura, a convivência com Laura ficou deficiente e limitada.
Um passo importantíssimo em ver algo de errado, é ter maturidade suficiente para assumir que o erro foi seu.
Melhor do q reconhecer um erro, é examinar exatamente onde ele ocorreu, pq ocorreu e se dispor a consertá-lo.
Mas como saber que errou na educação de um filho? Como saber que vc não esteve presente o qto ele gostaria ou necessitava? Eles falam???
Sim!! Eles falam!!
Mas eles não vem até vc e dizem que sentem sua falta.
Adolescentes não são assim. Eles tem a sua ânsia, a sua sabedoria, eles gostam de mostrar ao mundo como se deu a sua descoberta. A adolescência vem recheada de rebeldia tbm. De "não levar desaforo" pra casa.
Então, foi assim, num belo dia desses que descobrimos q havia algo de errado com a educação de nossa filha.
Ela foi grosseira com seu pai e ao ser repreendida, foi mais grosseira e o desafiou.
Foi muito, muito difícil não deixar que o pai a repreendesse com uma surra.
Tirei forças não sei de onde para segurá-lo, chorei, pedi implorei. Ele cedeu, por hora, mas cedeu.
Foi uma malcriação grave, foi um teste e qualquer decisão q tomássemos ali, seria decisiva para o resto de nossas vidas. Eu sabia disso, eu preferi não fazer desse jeito, batendo.
Fui no seu quarto, disse q apesar de não deixar o pai lhe bater, não era conivente com a forma q ela agiu. Coloquei-a de castigo. E tive uma bela conversa. Eu expliquei, eu conversei, dei exemplos, falei sobre mim, falei sobre o pai, sobre ser filha tbm.
Foi uma semana, no quarto, só saindo para comer e tomar banho. Livros e mais livros lidos.
Até q uma semana depois, o pai vai conversar com ela novamente e ela o recebe com grosseria de novo.
Dessa vez ele não fez nada, esperou que eu chegasse e me contou. 
Eu subi as escadas cega, fui ao seu quarto, ela estava deitada, peguei-a pelo braço, com força, levantei-a da cama com estupidez e gritei: o q pensa q está fazendo? O q pretende com tudo isso? Vc não vai se tornar o q vc quer, eu não vou permitir q vc faça o que quer. Não enquanto for minha filha, não enquanto eu sou responsável por vc.
Ela, toda assustada, chorou. Falei q não admitiria mais esse tipo de comportamento com o pai e com qualquer pessoa que seja.
Saí.
Resolvi conversar com o pai. Ele insistia com a conversa de repressão com violência. Foi uma conversa muito difícil, muito triste tm, mas consegui convencê-lo de que não era importante agirmos depois q acontece. Ela iria apanhar e não resolveríamos o problema, ela faria de novo e o q faríamos? Bateríamos novamente:?? 
Pedi para q tentássemos primeiro agir no foco, no q realmente faz ocasionar as crises de raiva, de falta de tolerância. 
E com muito custo e amor, decidimos agir assim.
Levantei, pedi forças a Deus.
Sei que educar um filho é uma única chance.
Ter um filho é uma viagem, viagem só de ida. Viagem sem volta.
E se vc erra o caminho, se vc não tenta corrigir, não tem jeito, vc o perde.
Ter um filho é ir para uma viagem sem bússola, sem GPS, talvez só ter as estrelas para nos dar direção.
Fui ao seu quarto novamente, perguntei de onde ela tirou que agir como  tem agido iria lhe render boas coisas.
Quais amigos agem assim e são felizes? Quais livros q ela lê e pessoas assim são felizes e prosperam?
Quais filmes, quais séries?? Q familiares???
Só tive respostas negativas.
Mas pude ver seus olhos compreenderem o q eu dizia.
Perguntei então q raios de burrice era aquela. Afinal, erramos por não saber, mas qdo errarmos sabendo, não tem justificativa, é uma tremenda burrice.
O primeiro passo para seguir um caminho ruim, é o conhecimento.
Vc sabe q malcriações para os pais é ruim e faz. Lá no futuro, vc sabe q usar drogas é errado, mas usa. Vc sabe que roubar é errado, mas rouba.Ninguém faz nada disso sem saber, Todo mundo se arrisca a pagar as consequencias. E com ela não seria diferente.
Naquele momento, pude notar nos seus olhos q ela compreendeu o qto estava sendo infantil, imatura, no qto era amada.
Em todas nossas conversas, o amor imperou., sempre!!
Falei q Deus nos uniu, quer algo de nós e nós, seus filhos, temos q atendê-lo.
Levei-a para o nosso quarto, fiz nós 3 darmos as mãos e pedi para prometermos nos amar, nos respeitar, nos unir sempre em prol da vontade de Deus. Pq ela é sempre que prevalece.
Não tenho religião q sigo, não curto algumas formas pedantes de religiosidade, mas acredito sim na força e no poder de Deus e sim, ensino para a minha filha q devemos viver conforme a Sua vontade.
Ela desabafou bastante sobre o q sente, tentamos ser carinhosos o máximo possível com ela, compreenssivos tbm.
No outro dia, Laura era outra menina. Feliz, disposta, alegre, faladeira.
Nos ajuda DEMAIS.
Foi uma semana incrível, fomos muito felizes, mais unidos,
E, baseado nesse comportamento doce dela, é q decidimos que o castigo poderia acabar.
Acredito q todo mundo tenha aprendido a lição.
Papai entendeu q BATER não é a solução para tudo.
Mamãe aprendeu a unir a família.
E Laura compreendeu q o caminho do amor, do respeito, da compreensão é o melhor q existe.
Por 3 anos necessitamos priorizar Artur em nossas vidas.
Mas agora, aparentemente, tudo está sob controle com relação a ele.
Então, decidimos que esse ano, nossa prioridade será a Laura.
Ela fará 14 anos, é uma idade muito importante na vida dela e queremos fazer parte disso.

Bem amores, é isso!!!
 É bom dividir coisas boas tbm.




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Encarando 2012


Todos os blogs que eu sigo que, diga-se de passagem, são muitos, falaram sobre 2011 ou 2012, sobre a bagagem que trouxeram para esse ano ou o q pretendem fazer.
E eu, acho q resolvi ficar quieta.
Acho que eu talvez esteja guardando minhas energias para hora certa. 
Acredito q é pq se eu for ficar pensando em 2012 agora, ficarei presa em tantas incertezas que corro o risco de enlouquecer.
Sobre 2011 só tenho a dizer: foi o MEU ano.
Não aconteceu nada de surpreendente, nada que qualquer pessoa olhe na minha vida e note. Mas em 2011 eu vivi.
Vivi com os medos, enfrentei todos, aprendi a esperar. 
Pra mim, isso foi uma das coisas mais importantes que já aconteceu na minha vida. Eu aprendi a controlar a minha ansiedade. Eu aprendi a aceitar que nem sempre as coisas dependem de mim e ainda que dependam, que poderão não sair perfeitas como eu gosto.
Em 2011 eu tbm aprendi a trabalhar as minhas frustrações.
Não, não foi fácil, vcs meus amigos sabem disso. Às vezes olho para esse blog azul e penso em quantas vezes eu o colori com minhas lágrimas. Seja de alegria, de tristeza, mas eu colori.
Aqui no meu cantinho eu li tanta coisa boa, eu recebi tanta força e aproveitei todo esse carinho transformando em maturidade.
Em 2011, eu mudei!! Eu amadureci.
Não, isso não termina aqui. Ainda restam feridas q teimam em não cicatrizar, ainda dói, ainda choro, mas aprendi a rir tbm.
Não é fácil fazer tudo o q eu faço, ser tudo o q eu sou.
Há quem se incomode com essa minha forma de me olhar e me ver grande, me ver importante, me cuidar, me interessar em fazer as coisas de uma forma que dê certo. Mas eu não me incomodo mais com essas pessoas.
Não mais.
Houve muito tempo em minha vida que eu acreditava que uma pessoa legal, correta e perfeita é aquela q consegue viver em harmonia com todos a seu redor, mas na verdade uma pessoa legal e correta, apenas vive sua vida, com amor, com respeito a si mesmo, às pessoas. As perfeitas?? Ahh, essas não existem, tive q entender isso tbm.
Depois de 2011, eu aprendi que eu posso ser e fazer o que eu quiser, pq eu amo, pq eu vivo em prol de um ideal, pq eu vivo pra mim e para a minha família e isso me torna uma pessoa especial, relevante para o mundo, mesmo q eu não possa fazer por ele tudo como e qto gostaria de fazer, simplesmente pq eu não sou invisível.
Deus me criou com esse dom, o dom de falar, o dom de me expressar bem, o dom de me fazer ouvir e ser ouvida e por mais q muitos digam que eu deveria ganhar dinheiro com isso, q perco meu tempo em não escrever um livro, eu acredito que eu apenas esteja amadurecendo. Hj vender livros não é minha prioridade.
Talvez hj vc esteja se perguntando pq eu não estou me observando como mãe e eu digo q se eu não tivesse olhado para dentro de mim, não tivesse transformado os meus sentimentos de dor, de revolta, de infelicidade em sabedora, em aprendizado, eu não seria nada, quem dirá uma boa mãe.
Mas falando como mãe, arrisco dizer que eu cresci muito. Amadureci minhas dores, lambi minhas feridas e fui muito feliz em 2011.
De certa forma, por mais que não seja como eu gostaria, estamos nos adaptando às alergias do Artur, às suas dificuldades e vivendo cada dia com a decisão de ser feliz.Temos uma adolescente em casa tbm, que tem seus dramas, seus fantasmas, suas frustrações. Não foi facil encarar 2011 e não vai ser fácil encarar 2012, mas em meio a fraldas, lenços umedecidos, leites de soja e dietas rigorosas, a gente vai sentando no sofá e tendo conversas legais com a nossa adolescente e dando o nosso melhor para ela.
Assim foi 2011 e será 2012.
Ele promte ser cheio de desafios, depois venho falar sobre eles, mas eu não vou desistir!!

Beijos, Feliz 2012 para todos!!!


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