Como será o outro lado da história?


Eu gosto de ler blogs!!
Sigo muitos e às vezes reclamo que minhas amigas blogueiras não atualizam seus blogs com frequência e fico com abstinência de leitura rsrs.
E hoje eu li o blog da Carolina Câmara uma moça muito legal que tem Paralisia Cerebral e é psicóloga (me enche de orgulho escrever isso).
Engraçado é que a postagem dela era referente ao blog de uma mãe que tem um filho especial.
Essa postagem foi de muita importância para mim. Me fez refletir muitas coisas e são coisas que não costumamos pensar.
Nós que temos filhos com deficiências sempre estamos preocupados com O QUE PENSAR, com O QUE A SOCIEDADE PENSA a respeito de nossos filhos, mas raramente lembramos de olhar para nossos filhos e nos perguntar:

O que se passa nessa cabeça?
O que meu filho pensa?
O que ele entende do que vê?
Que tipo de conclusões ele tira de tudo o que vive?

Acabei de ler o blog da Carolina e me peguei viajando.
Lembrei da história da Carly's Fleischmann , uma adolescente autista que não fala mas se comunica muito bem através do computador e respondeu muitas das dúvidas que nós que convivemos com os autistas e tantos outros portadores de deficiências temos.
Carly foi diagnosticada na infância com autismo severo e retardo mental grave, apresentou comprometimento motor com atraso de funções básicas como sentar e andar e aos 11 anos, sem nunca ter sido ensinada a ler ou escrever, muito menos a usar o computador Carly se aproximou dele e digitou as palavras DOR e AJUDA, em seguida correu para o banheiro e vomitou. Aquilo foi incrível, afinal até então ela era tida como deficiente mental, incapaz, desconectada do mundo, e de repente ela mostra que está plenamente ligada em tudo que se passa, que domina a linguagem, que sente da mesma forma que nós e sabe se expressar.
Depois de ler Carolina, depois de saber de Carly tem como não pensar no que meu filho pensa??
O que será que ele vê do mundo?
E quando ele sente dor?
E quando se decepciona comigo?
E quando ele sente medo?
E quando ele crescer, como vai reagir às possíveis rejeições?
Acabo concluindo que eu deva pensar mais nesse assunto.
Ao longo de minha vida eu compreendi que devemos pensar nas pessoas conforme o entendimento delas, conforme o caráter delas e não o nosso.
Isso é um prato cheio para se evitar muitas decepções, as pessoas são o que são e não o que desejamos que sejam, mas mesmo pensando assim, nunca parei para tentar pensar no que meu filho pensa, com sua cabecinha.
Decidi que quero pensar mais no meu filho, no que ele sente, compreendê-lo, conseguir me comunicar mais com ele, fazer parte do mundo dele e não mais somente trazê-lo para o meu como pensava antes.
Gostei muito, muito mesmo de ler que Carolina sonhava com uma vida normal, que desejava uma fada madrinha transformando sua vida.
Pois isso é comum da infância, todos nós sonhamos com a varinha de condão realizando nossos desejos.
Esse relato é uma mostra de que Carolinas. Carly's, Arturs e tantos outros tem desejos 'normais' e a maravilhosa capacidade de sonhar.
Quero ensinar meu filho a sonhar, quero ensinar conto de fadas para meu filho.
Quero que ele deseje, ainda que eu não possa ouvir ou compreender com o que.
Quero que ele se sinta acolhido por mim, que aprenda a conversar comigo de outras formas, mesmo não sendo através de palavras.
Quero que ao olhar nos seus olhos eu possa ver muito mais do que eu vejo.
Quero falar para ele com os meus o quanto é amado e compreendido e o quanto eu acredito em sua capacidade.
Não capacidade apenas de melhorar, de crescer, de aprender, somente mas a capacidade de se amar como é, se respeitar e se fazer respeitar.
Quero falar para meu filho com meus olhos o quanto ele é importante no mundo, em nossas vidas e o quanto precisamos dele.
Quero mostrar para ele que podemos ser felizes de qualquer jeito e que todos nós temos dificuldades e que ele apenas precisa administrar as dele.
Quero viver a nossa realidade e ensiná-lo a enfrentar a sua realidade de vida baseada no amor.
Gostaria muito de um dia ler algo que ele escreveu, que ele tenha puxado esse meu dor de transformar alegrias e tristezas em palavras que encantam, emocionam e que tocam as pessoas, mas se não puder, quero apenas que ele nunca deixe de pensar e sonhar, ainda que eu não faça ideia do que seja.....
Se viver a alegria de ver meu filho escolher um carrinho numa loja de brinquedo já foi a realização de um grande sonho, significa que eu entendi que estou no caminho certo quando digo: Mudar meus sonhos sim, deixar de sonhar, NUNCA!!!!

E concluindo com a frase de Carolina, termino minha postagem:

  "Já que não tem fada madrinha (uma pena!), eu tive que aprender a lidar com a minha deficiência. Saber que a deficiência não anda paralela com o sorriso, com a alegria, com o amor, enfim a deficiência se cruza sim com a felicidade!

Acho que a fada madrinha, sempre esteve ao meu lado e com outros poderes, ela está fantasiada de pai e mãe."

Desejando e muito que eu possa ser a fada madrinha do meu filho na vida dele também.

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