Mundo REAL


Durante 4 anos e 6 meses eu divido diariamente com meus amigos como é a vida do meu filho autista.
Pessoas que me conhecem desde o finado orkut e que me conheceram através do meu blog sabem exatamente como ela é.
Meu filho progrediu muito, melhorou muito e SOFREMOS muito também.
Não houve nenhum Rafael, Fernando, Flávio, Pedro, ninguém que não fosse a família dele ou pessoas procuradas por nós que tivesse feito diferença em sua vida.
Não vou dizer que a novela não foi legal, afinal somos quase 2 milhões de autistas só NO BRASIL e éramos DESCONHECIDOS.
Hoje, quem assiste novela sabe que nossos filhos existem.
O que eu quero pedir para você, é que, assim como em outros personagens você separa a ficção da realidade, que faça o mesmo com a história da Linda.
Principalmente no que diz respeito à família, da mãe, da intervenção.
Eu acredito muito em milagres, tenho muita fé em muitas coisas, mas eu nunca, de maneira alguma deixei apenas ela intervir em minha vida.
Não houve uma noite que eu dormi em paz pensando em como vai ser o mundo lá fora para meu filho quando ele for adulto e eu não mais estiver aqui. Mas quando eu acordo, minha meta é tornar uma vida possível todos os dias.
Não houve uma vez na vida que eu não o incentivei a crescer e melhorar.
Eu jamais vou querer ver meu filho escondido dentro de casa feito bicho.
Eu jamais vou permitir minha filha mais velha ou qualquer outra pessoa tratar meu filho sem o devido respeito que ele merece.
E não sou só eu.
Existem milhares mães de autistas que são pequeninas e tem que dar conta de um filho grande, forte, durante suas crises nervosas como as de Linda, muitos deles quebram não só a casa, mas também quem tenta intervir, dar amor e acalmá-los.
Não é fácil ser mãe de um autista.
Não deveria ser fácil criar esteriótipos em rede nacional também.
Mas realmente o que mais me doeu foi a falta de exploração da novela sobre a nossa realidade.
Linda teve intervenção muito tarde, mas foi tão fácil começar que me admira e muito como não começou antes. Ah, lembrei!! Foi CULPA da mãe.
Fico muito triste em ver o quanto a novela poderia mostrar outros autistas, outras histórias incorporadas à de Linda e não fez. Nessas horas, por mais que não goste do estilo de Glória Perez, sei que se fosse ela, faria, daria.
Sinto muito o país não ter ideia do que é ter sua matrícula rejeitada numa escola, ou de quando consegue matricular, ser rejeitado, deixado de lado, convidado a se retirar.
Sinto muito as pessoas não poderem ter conhecimento de como é o dia a dia de uma família autista, cheia de terapias, horários, estudos, cheia de esperas eternas para uma consulta médica, de brigas feias com médicos desatualizados que teimam em achar que nossos filhos precisam ser dopados, cheia de nãos e incertezas dolorosas, mas que ainda assim não deixam de ser felizes e acreditar numa vida melhor.
Sinto muito, muito mesmo pelo autor da novela ter ignorado quantos somos, como vivemos e principalmente, do que precisamos.
Por essas e outras que há muito tempo eu não vejo novela.
Por essas e outras que eu vivo no MEU MUNDINHO.
Mas continuo fazendo questão de dividir com meus amigos, com quem possa interessar como é o dia a dia de uma família autista.
Eu não tenho o poder de comover um país, mas eu tenho meu blog, meu perfil pessoal de uma rede social, eu tenho minha vida real, meus exemplos, minhas lutas e quem quiser realmente saber como é a vida de um autista, seja criança, seja adulto é só me perguntar, o que eu não souber, conheço centenas de mães lindas, perfeitas, lutadoras, guerreiras e que AMAM INCONDICIONALMENTE  seus filhos para explicar.
Não vou xingar a Bruna, não vou amaldiçoar Walcir Carrasco, eu vou apenas pedir para você que está me lendo, que se houver interesse em nossa realidade, que busque, que se informe a cada dia existem mais autistas no mundo inteiro e eles um dia podem precisar de você e eu acho que se o país se comoveu com a história distorcida de Linda, não terá dificuldades em se comover com as dificuldades de uma família autista REAL.
Pense nisso, informe-se, busque, interesse-se e poderá observar o tamanho da falta de respeito que foi dada às mães dos autistas, às famílias que, querendo ou não, já são muito esteriotipadas, agora terão motivos de sobra para ser muito mais por quem não sabe como é a sua vida de verdade.
Não dá para ter um filho rejeitado, ignorado, desprezado, viver num mundo à margem de tudo sem se revoltar, brigar, esbravejar, somos briguentas mesmo, só não acredite de maneira alguma que somos como a mãe de Linda.


Beijos.

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