Administrando o fracasso


Foi num almoço mto legal hj com o Ro que o assunto se tornou a minha vida profissional.
Sinceramente eu nunca me vi tão infeliz e sem otimismo em toda a minha vida quando falei dela.
Engraçado que não foi um momento de ter pena de mim, de vitimismo, ou cansaço.
Foi apenas resignação.
Quando mais jovem, eu lia Forbes, revistas que falavam sobre política, estudava para muitos concursos (passei em todos que prestei, nunca menos do que 10º lugar), tinha sonhos de ser executiva (podem rir).
Mas nada na minha vida cooperou para isso.
E tbm eu me dei outras prioridades, pode ser isso.
Eu quis ter uma família e nunca parei para pensar que precisaria mantê-la.
ACABEI onde estou.
Numa profissão a qual nunca me adaptei.
Qualquer um vai querer dizer que foi falta de vontade.
Mas é mentira!!
Eu tentei amar o meu trabalho e nem é tão difícil assim.
Acontece que eu era uma pessoa ingênua, que não via maldade nas pessoas, nas coisas e achava que era mto, praticamente impossível, as pessoas não gostarem de mim simplesmente pq eu fazia de um tudo para agradá-las.
Os detalhes não importam.
Eu Não agradei e pronto.
Não curto coisas erradas, feitas de qualquer jeito e mto menos injustiças.
Mas, descobri de uma forma mto dura que o mundo é injusto demais.
Atualmente eu sou uma funcionária readaptada, não tenho capacidade para exercer as minhas funções profissionais.
E a Filha de uma puta da 'médica' esqueceu que além do trabalho eu tinha uma vida para administrar e não escreveu que eu era incapaz de cuidar dela.
Estranho demais isso, mas como falei: não vou entrar em detalhes.
Eu sempre fui pretensiosa também.
Nunca achei que o mal pudesse me acometer e quando acomete, de tão abusada que sou, prefiro pensar que a vontade de Deus é outra, procuro aguardar os próximos acontecimentos e logo compreendo que O ruim, simplesmente estava tentando me aproximar das coisas boas.
Trabalho frustrada, sem ser nada do q pensei, sem ser sequer alguém.
Sou desprezada involuntariamente, ou não, por todos.
Dói vc crescer querendo ser tanta coisa e ver q não rolou ser nada.
"— Minha vida profissional é um fracasso!!!! - Falei na mesa tentando encerrar um assunto que dói.
— Você não é, tem q se impor, mostrar quem vc é. - ele me disse.
— Eu sei quem eu sou!! Toda vez q tenter ser algo no trabalho, eu não prestei, já entendi o meu lugar lá, não vou mais lutar para ser algo, qdo lutei, provaram ainda que de má fé que eu não sou nada.
— Se vc quer assim..... poderia fazer outro concurso.....mudar. - ele argumenta
— Estou com 36 anos. Tenho 11 anos trabalhados, as pessoas reconhecendo ou não. Tenho uma filha de quase 15 anos, um filho autista com 4, na minha vida não tem mais espaço para REVOLUÇÕES. A minha vida profissional é um fracasso, mas e daí?? Eu tenho que me preocupar agora com a vida profissional da minha filha, a dela sim tem chances de ser mta coisa - disse isso muito resignada, mas com olhos cheios de lágrimas e feliz por ter comprado aqueles óculos escuros na semana passada."

Sim, minha vida profissional foi um fracasso e ainda é.
Mas como eu disse que sou pretensiosa e abusada, vou justificar dizendo apenas que pelo que eu era, se a vida não tivesse me dado tantas 'rasteiras' seria praticamente impossível eu ser quem eu sou hoje.
Tenho certeza de que se eu fosse uma executiva, ocupada e absorvida com a vida que sonhei para mim, não teria visto os sorrisos lindos de meus filhos que vi todos esses anos. Não teria a sensibilidade e até 'frouxura' de ver uma criança chorando e mesmo sem saber o motivo, chorar juntos com ela.
Não saberia o significado do que é ser mãe, pq em circunstâncias semelhantes deixei o trabalho me dominar e não tive tempo para minha filha e meu filho.

Se eu fosse uma executiva ocupada, eu teria tempo para meu filho, para lutar pela independência dele, talvez pagasse alguém para ficar no meu lugar.
Tenho certeza de que se eu tivesse realizado meus sonhos profissionais, eu só teria uma vida profissional.
E eu tbm não consigo pensar mais numa vida diferente para mim.
Eu sou quem a vida quis que eu fosse, eu sou o melhor q eu posso ser para a vida que eu escolhi.
Eu escolhi ter uma família e a vida me fez fazer escolhas para cuidar dela.
Eu poderia agora enfiar a cara nos livros, estudar feito louca e ter outro emprego com uma estabilidade tão boa qto a de hoje.
Mas por morar numa cidade em crescimento ainda, teria q trabalhar em outra, teria q viajar todos os dias, teria dificuldade para me ausentar do trabalho para cuidar as coisas do Artur, não teria tempo para educar minha filha que está numa idade complicadíssima, onde ela precisa do apoio dos pais para ser uma grande mulher.
Então, escolhi a profissão de mãe.
Ainda que eu saia cedo de casa todos os dias e tenha um trabalho, a minha realização está em vê-los bem.
Não vou negar que choro escrevendo isso.
É muito, muito difícil perder, deixar sonhos de lado, aceitar que nada é do jeito que vc gostaria que fosse.
E é mto mais difícil administrar tudo isso.
A frustração machuca meu coração todos os dias.
Tenho dias legais, dias ruins, mas é duro ter uma vida sem perspectivas.
Só que eu sou RUIM, RUIM mesmo e eu não vou aceitar essa condição que a vida me impôs somente chorando e lamentando.
Eu vou ser a pessoa destemperada que sempre fui.
Eu vou ser feliz dia sim, outro não, dia sim, outro tbm.
Pq eu não sou apenas resultado de minhas escolhas.
Antes de eu ter q pensar em meus filhos e deixar minha vida profissional ir para o ralo, eu lutei muito para mudar de trabalho.
Cheguei até a esperar e estudar 1 ano para um concurso e como a data dele só foi divulgada pela internet e eu não tinha internet em casa, perdi o dia da prova que tenho certeza de q iria passar.
A vida me 'sabotou' tbm.
E eu que já tentei deixá-la, que já cheguei a desistir de andar ao seu lado, entendi que a vida não vai me deixar e que se eu tenho que ficar com ela, VAI TER QUE SER BOM!!!

Minha vida profissional é um fracasso, mas eu não sou!!
Então, que se foda!!!

(gostaria de deixar claro que quando disse que se eu fosse executiva deixaria meus filhos para depois, eu falava sobre mim, sobre como eu faria e não que qualquer pessoa que tem uma vida profissional atarefada faria)




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2 comentários:

Reflexões de Mamãe on 11 de outubro de 2012 07:16 disse...

Ontem eu estava pensando a mesma coisa!! Penso no quanto lutei na facul, o quando sofri pra terminar... e hoje, não estou nem perto da linha que estudei. Na verdade, acabei escolhendo um outro caminho. E, esse caminho tem se revelado de maior luta, tem sido ainda mais pesado, porém, me sinto mais viva.
Sinceramente, se o fato de se sentir resignada te machuca, não vejo problemas em tentar mudar. Mesmo que estude mais, destine um tempo e uma energia (que parece que não temos, eu sei) a mais, isso pode te fazer sentir ainda melhor.
E, tenho certeza, o estar bem, fará muito, mas muito bem pra sua família!!!
Um beijo!!!

Adriana Mendes on 11 de outubro de 2012 08:06 disse...

Roberta,

Eu nem queria ter filhos, pois sabia que não conseguiria ser a profissional full time que era, juntamente com a criação da filha. Mas via tantas jornalistas mães, que me empologuei. O que não percebi é que essa jornalistas, mesmo que separadas, tinham apoio dos pais de seus filhos. Eu, ao contrário, como vc sabe, não tive apoio. Mas conseguiria levar assim mesmo. MInha segunda filha não tem pai, ele nem quis conhecer, mas eu consigo levar... agora viver sem a outra filha é impossível. Eu continuo pq tenho MIranda, mas sou metade, o que é injusto com MIranda também, q tem uma mãe ora estressada, ora deprimida. Ontem e hj já me viu chorando... chorei às 6h30 da manhã... nunca mais consegui ascensão profissional. Mas ainda acho q meu melhor papel é como mãe. Qdo Dora nasceu eu chegava do trabalho exausta, mas dormia feliz pq sabia q tinha feito tudo por minha filha. O trabalho me deixava vazios, tarefas não cumpridas. A maternidade me fazia sentir completa...
Vc ainda é muito nova! Acredite, os tempos são outros, uma pessoa com menos de 40 está a todo vapor no mercado. Te admiro muito!

Bj

Adriana

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