Mais presente


Na semana passada, eu falei aqui sobre estar mais presente na inclusão do Artur na escola. Ah, inclusão para quem não sabe, é uma palavra muito usada por aí, tem um significado lindo nas leis, mas na realidade não é bem assim, às vezes chego a duvidar de sua existência.
Bem, eu fui autorizada a entrar na escola do Artur durante o horário da última refeição para ver ser conseguiríamos resolver o problema dele não querer comer.
Admito que num primeiro momento eu disse para meu marido: Não quero ir!!
Um medo toma conta de mim quando penso na escola, quando me vejo questionando a escola. Eu tenho medo, medo de sofrer, medo de ver o que não gosto, medo de ter q ir até as últimas consequencias para resolver meus problemas lá. Porque se for preciso, assim farei.
Depois, pensei com calma, escrevi aqui sobre eu nunca ter facilitado muito as coisas sobre a inclusão do meu filho com a escola, de eu ter jogado tudo no colo das professoras, coordenadoras e diretoras dando liberdade total para elas agirem como prefererem.
Fui para a escola com o coração na boca, cheguei cedo porque fui de carona, passei uma meia hora do lado de fora da escola, mãos suadas, cólicas de nervoso, tive medo de ter dor de barriga e ter que sair correndo.
Finalmente deu 15H10, toquei a campainha e esperei alguém, me levaram ao refeitório e eu fiquei esperando Artur.
De repente,  o vi entrando, de mãos dadas com a auxiliar, quando ele me viu, saiu correndo abriu os braços, pulou no meu colo, eu me abaixei, ele me puxou para perto, encostou seu narizinho no meu e ficou me olhando, um sorriso delicioso nos lábios. Um momento que durou segundos e ficará guardado comigo pela eternidade. Ali, naquele ambiente estranho, triste para mim, onde meu filho não era meu, meu filho não é meu Artur, ele era meu, ele escolheu a mim.
Eu fiquei toda inflada de orgulho, com aquela cara: Viu?? Ele é meu bebê, ele sabe quem eu sou, ele não é um saco de batatas que não sabe escolher as pessoas que gosta, aqui é assim porque ele não tem escolha. 
Conversei muito com Artur, taí outro momento breve que nunca esquecerei.
Estava tudo bem, até que ele viu o prato de sopa. Digo que o aspecto da sopa não era o mais agradável, tentei de todas as formas dar um pouco para ele provar, inclusiva na marra, já que ele adora aprontar dessas conosco. Nós damos a primeira colherada na marra, ele sente o sabor da comida e como todo o restante sem problemas rs rs.
Mas não houve jeito, ele cuspiu tudo, me sujou toda, acabei provando da sopa sem querer e apesar do aspecto ruim, era gostosa.  Ele não quis, concluí que ele não gosta da sopa e pronto.
Ganhei muitos mais beijos quando levei o prato para longe, abraços aos montes e notei que era hora de ir embora.
Me despedi com o coração em pedaços, ainda era cedo para a saída, eu precisava ir. 
Vê-lo andando, olhando para trás, com aquele olhar de mãe vem comigo foi desolador, aqueles pequenos passos em direção à sala de aula, a distância aumentando e ele virando ainda mais seu corpinho para me olhar foi uma despedida dolorosa. Ele não era mais meu, eu tinha que bloquear meus pensamentos sobre o que ia acontecer lá, a auxiliar disse que ele iria tomar um banho porque estava sujo das brincadeiras no parque. 
Restava eu também me virar e ir embora.
Fui para a sala da diretora resolver como faríamos e ficou acertado que na hora do jantar, ele tomará um leite, afastado das outras crianças para que elas não queiram leite também.
Falei que tudo bem a forma que fariam, desde que meu filho não fiquesse muito tempo sem comer.
Saí de lá, mais calma, mas tenho certeza de que NUNCA, JAMAIS, em momento algum ficarei tranquila de deixar meu filho lá e dar as costas.
Isso me dói, me mata, isso me enjoa, isso me destrói.
Todos os dias eu rogo a Deus para que cuidem bem do meu filho.
O que me deixa realmente mais tranquila é o fato de que Artur hoje sabe o que lhe é bom e mal, ele faz escolhas e se a escola não fosse boa para ele, hoje eu tenho certeza de que ele não ia querer ir.
É o que me consola.
E vamos crescendo, porque é isso que a vida quer de nós, não é?

Beijos e até nossa próxima viagem

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2 comentários:

Francine Barrionuevo on 9 de agosto de 2012 15:51 disse...

Nossa tenho lido seus relatos com o coração na mão. Você é uma pessoa incrivelmente forte, embora talvez você tem sido assim porque precisa ser não é mesmo!? Enfim, acho que sua decisão de acompanhar de perto tenha sido mais acertada, quem sabe aos poucos você não vai conseguindo todas as mudanças que gostaria em relação ao ambiente da escola para o seu pequeno. O leitinho dele na hora da sopa você já conseguiu! Bjo grande estou torcendo muito por vcs

Uma mãe que viaja on 9 de agosto de 2012 23:08 disse...

Muito obrigada Francine!!E é exatamente como vc disse: sou assim pq preciso, antes não era, nadinha.
Muitos beijos e obrigada por me acompanhar.

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