Gratidão que não tem tamanho.


Os últimos 2 anos e 8 meses de tratamento do meu filho foram determinantes em nossas vidas.
No final das contas, todos nós fomos tratados.
Tivemos oportunidade de participar, fazer parte de um sonho realizado, sonho esse que nada mais era do que implantar sonhos e esperança na vida de quem precisava e acabara de perder seu chão.
Quanto o autismo bateu à nossa porta, corremos pela rua do desespero, batemos em diversas portas também.
Muitas foram abertas, outras fechadas também.
Quando Artur foi aceito no local onde faz suas terapias, nos deram esperanças.
Esperanças de que tudo tinha jeito, de que a vida pode ser linda com dificuldades, aprendemos isso diariamente e vivemos muito, crescemos demais.
2 anos e 8 meses, muitos amigos, muitas demonstrações de carinho, tristezas também, mas sempre, sempre alimentaram nossa esperança.
Como a força que aprendemos a ter naquele lugar, conseguimos investir muito no crescimento de nosso filho e eu jamais me esquecerei de tudo o que vivemos lá.
Em 6 meses nossas vidas se transformaram completamente, fomos aceitos e em mais 6 meses tínhamos uma rotina saudável de tratamento para nosso filho e assim foi por 2 anos e 8 meses.
Mas, por mais q os ideais do local sejam maravilhosos, por mais que a esperança tenha dado lugar a grandes conquistas e realizações, um dia a vida nos chama à realidade e assim como um filho cresce e precisa seguir seu caminho sem orientação dos pais, talvez amanhã seja dia de nosso pequeno guerreiro buscar novos caminhos.
Artur cresceu tanto em todos os aspectos, Artur aprendeu tanto, se desenvolveu demais, mas parece que o local já não tem mais tanta estrutura para ajudá-lo.
Talvez amanhã eu ouça aquele discurso lindo e floreado de elogios: "Seu filho cresceu, traçamos metas para ele e ele atingiu todas. Mas, infelizmente, este local não tem tratamento adequado para autistas, tanto que nem aceitamos mais autistas para as terapias aqui. Não temos mais como ajudar seu filho....blablabla...... adeus!! Foi bom enquanto durou."
Não, não tenho certeza, mas como tem acontecido com outras crianças, porque não?
Sou um tipo de pessoa que gosta de ter o controle das coisas e não tenho controle do autismo, de nada.
Sou um tipo de pessoa que entendeu que não se pode sofrer por antecipação, mas também aprendi a lidar com todas as possibilidades.
E não tem como não achar a vida irônica comigo, não ter vontade de olhar para o céu e falar: "Aê, valeu!! Eu sei o que você quer de mim, mas tava tão bom assim!!".
Sei que eu não nasci como sou para ter estabilidade.
Eu não teria tanta força que tenho para apenas subir numa kombi e levar meu filho em outra cidade, passar o dia lá, ou ficar esperando meu marido que foi.
Eu sei que eu tenho um outro lado dentro de mim, eu sei exatamente oque a vida quer de mim e eu sei que eu farei também.
Mas de verdade, hoje eu preciso chorar.
Chorar não porque amanhã eu posso tomar um não.
Chorar apenas porque eu sei que o fácil não me pertence, porque eu sei o que tenho que fazer e mimada como sou, sei que vai ser difícil.
Porém, mesmo não tendo ideia de como fazer, de quem vai me ajudar fazer, eu sei que farei.
Por hora, vou chorar um pouco aqui no meu cantinho, sentindo pena de mim (de vez em quando eu deixo, sabe?). Pq nem sempre as coisas podem ser como eu gostaria que fosse.
Talvez tenhamos que começar do zero, mas veja, tenho um plano e o farei.
A princípio não vou desistir.
Não vejo como meu filhote ter alta agora que precisamos de um TO para o desfralde.
Não vejo como meu filhote ter alta agora que ele tenta cantar, mas tem um cara chamado Deus que é quem sabe de tudo, então, cá estou, apenas aguardando suas ordens.
E que SUA vontade seja feita, já aceitei essa SUA condição, mas não prometi a ninguém que não iria chorar.
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2 comentários:

Rosangela disse...

lindo seu texto.É assim que venho me sentindo ultimamente com agrande possibilidade do meu filho de 3 anos ser autista. estou ainda no olho do furacão, perdida e sem ar. mas Deus tem enviado anjos par me socorrer, eu já percebi. Pessoas super interessadas em me ajudar, ajudar meu filho, sem ao menos nos conhecer. è uma folha verde no deserto. é uma esperança.

Roberta disse...

Gostei muito do texto abaixo, bem esclarecedor para pessoas que conhecem pouco sobre o tema, então estou divulgando:

http://www.deficienteciente.com.br/2011/04/dez-coisas-que-toda-crianca-com-autismo-gostaria-que-voce-soubesse-2.html

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