O medo de tudo


Sei que eu desapareci.
Andem bastante ausente como mãe eu tbm acho.
Levando-se em consideração que meu filho está bem e que meu filho melhorou muito, acho q é só uma exigência perfeccionista mesmo.
Resolvi pegar esse mês para pensar em mim um pouco, como mulher, como alguém que existe um pouco além das limitações do autismo.
É muito difícil lidar com a culpa que isso traz, mas chega uma hora que vc pega um embalo tão grande na viagem que precisa dos freios.
Mas não é sobre isso que eu quero falar hj.
O tempo que Artur esteve em tratamento na Casa da Esperança foi valiosíssimo para nós e é até hj.
Os progressos, a segurança que sentimos todos os dias em saber q, na medida do possível, Artur está sendo tratado é indescritível.
Achávamos que só nos faltava agora conseguir a consulta com o Dr. Salomão, ter um diagnóstico exato por um profissional gabaritado e pronto. Seria só tocar a vida tomando conta das alergias.
Pretensão a minha não é?
Claro q é mentira isso.
Tem a escola tbm. Ano que vem já não é mais maternal, é o jardim e o que isso reserva para meu filho?
Sabe quando vc fica adiando ir na escola, conversar com as coordenadoras com medo do q vc vai ouvir?
E mais, isso inspira pensar no futuro. Acho q ainda não me preparei para essa parte. Eu adio pensar no futuro do meu filho, eu adio pensar em tudo q teremos q enfrentar: preconceito, desinteresse, despreparo, dor, tristeza, frustrações. Não, tenho medo, não quero!! Mas nunca poderei fugir de tudo isso para sempre.
Grande verdade é que a cada dia q passa, ele cresce e eu sinto que não conseguirei protegê-lo da maldade do mundo, que não conseguirei evitar tanta coisa ruim q pode acontecer com a gente.
Se eu pudesse, de verdade, gostaria de trocar de lugar com meu filho.
Eu sei q eu tenho a força necessária para enfrentar tudo isso, já enfrentei tanta coisa, tanta mesmo que enfrentar o preconceito, a descriminação, a imbecilidade do ser humano em relação com as diferenças eu tiraria de letra.
Eu sou bipolar e consigo ter uma vida 'normal' desde q eu não fale isso para ninguém.
Eu sou normal até q eu diga q vou num psiquiatra e tomo remédios.
Eu sou normal hj, pq eu decidir ser assim, mas meu pequeno, como fará?
Só de imaginar ele, com a sua hiperatividade, correndo no meio de uma sala enquanto a professora tenta ensinar outros alunos, só de pensar q isso vai ocasionar em medicações para ele, medicações essas que eu tenho pavor, eu morro, sofro por antecipação sempre.
A Casa recentemente trocou de neurologista e esta decidiu que a Casa não tem nada a acrescentar na vida de um autista. Eu sinceramente acho isso um absurdo. Será q lendo a ficha do meu filho, será q vendo a primeira avaliação que foi feita com ele não mostra a verdade?
Qdo usamos esse argumento, foi nos dito q se a Casa tivesse preparo, ele teria melhorado mais.
Então, quer dizer, se ele foi dispensado, ficará sem nenhum, isso sim é produtivo?
Estamos preocupados demais com isso, tristes tbm.
Segundo eles, parece q Artur não ficará sem tratamento, mas tbm não podemos mais contar com o tratamento dele até os 18 anos como acreditávamos.
Eu estou arrasada, não sei o q fazer, quer dizer, eu sei. Terei q ir à luta, brigar pelos direitos do meu filho.
Gente, eu acho um absurdo eu ter q brigar na justiça para que entendam e façam com q um autista tenha tratamento.
A Casa q Artur vai, é filantrópica, ou seja, ela não é obrigada a atendê-lo.
Teremos que ir atrás do plano de saúde, atrás da Prefeitura, teremos q implorar.
Isso é tão exaustivo.
Sabe q dói ter um filho assim?
Que por mais q amemos nossos pequenos do jeito q eles são e aceitamos o q Deus preparou para nosso crescimento, dói se sentir frustrado???
Dói aceitar q Deus achou q vc não poderia ser como todas as outras pessoas?
Que da mesma forma q vcs tem dificuldades de entender e aceitar as diferenças da sua vida, a gente tbm tem??
É uma aceitação diária. 
É um medo diário, pq a gente infelizmente não pode colocar nosso filho debaixo de nossa asa e impedir que qualquer um o faça mal.
O ano está terminando e eu continuo com a mesma choradeira que ele começou.
Peço desculpas a todas as pessoas que acompanham a minha história.
Sempre digo q tem pessoas q tem uma luta muito mais árdua que a minha, mas tbm tenho certeza de q ela compreende q a dor q eu tenho é a mesma, o medo q eu tenho é na mesma intensidade q a dela e que eu vou ser feliz como ela tbm consegue ser.
Temos tantas coisas a comemorar aqui esse ano.
O desenvolvimento do Artur foi espetacular e se for analisar o estimulo dado, digo mais uma vez: mais da metade foi amor, foi atenção, foi respeito, o tratamento ao meu ver foi apenas um adendo.
Não desmereço os profissionais, amo todos eles, respeito o trabalho de todos, mas sem dúvida, o mérito é das pessoas q estão a sua volta: pai, mãe, irmão, avôs, avós, tio, amigos, vizinhos, professoras maravilhosas e vcs. Sim, vcs todos q leem aqui e me ajudam a ter força mais um dia, mais um mês e mais um ano q se passou.


Para todos vcs, eu deixo o meu obrigada!!
O meu coração e a minha esperança de dias melhores.


Beijos









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9 comentários:

Anônimo disse...

Tendo um fiho especial, me vejo em muita coisa que voce sente, que vc escreve. Uma das coisas que mais me marcou foi a questão do futuro, eu percebi que não penso no futuro do Isaac. Não sei se é medo (bem provável)mas confesso ter serenado bastante quando percebi que o mais importante é o amor. O amor é o que cura transforma, melhora, ele dá um jeitinho em tudo. Mesmo sendo exaustivo eu costumo contar com o amor, e tb com a oração.Com essas duas forças, tudo fica mais leve, amor e fé! bjo da Gi

UMA MÃE PARA TRÊS on 18 de dezembro de 2011 12:47 disse...

Oi também andei sumida, estou tentando recomeçar, faço minha as suas palavras, não somós mulher maravilha, as vezes tentamos ser, só Deus mesmo para nos fortalecer a cada dia, bjs, Thais.

Juliane Aguiar on 18 de dezembro de 2011 19:01 disse...

Ei...
eu só imagino o que você está sentindo... o meu filho ainda é normal... porque ainda não consegui assumir pra ninguém sobre o meu filho... as pessoas com quem eu convivo escolheram não perguntar, sabe? Na escola, passei por perrengues e já estou preocupada com o ano que vem...
essa é a nossa vida, né?
mas, temos uma força que não temos a menor ideia que exista dentro de nós, que tiramos do nada, por amor aos nossos filhos!

força!!

Uma mãe que viaja on 18 de dezembro de 2011 19:52 disse...

Gi, o amor é fundamental. Trabalhar nossas emoções tbm. Pensar no futuro sempre foi bobagem, né? Idealizaçoes nem sempre acontecem para qualquer pessoa. Mas o q nos atormenta nessa caminhada é saber q nossos filhos sofrerão situações das quais conhecemos bem e não poderemos evitar o qto gostaríamos.

Uma mãe que viaja on 18 de dezembro de 2011 19:54 disse...

Amiga Mãe para tres, saudades suas. Vamos seguindo, não é?
Tentando recolher o q sobrou e construir uma linda história de vida colada com amor.

Beijos

Uma mãe que viaja on 18 de dezembro de 2011 19:57 disse...

Juliane.
Olha, enquanto a gente não trabalhar essa aceitação nossa.
Enquanto nós não aceitarmos nossos filhos, o mundo não o aceitará tbm.
Tudo leva um tempo, tudo tem suas fases, compreendo e respeito a sua, mas pense no q eu sempre disse aqui: Existem duas formas de se enfrentar uma situação difícil: com dor ou sem dor, mas nenhuma delas vai nos impedir de passar pelo q temos q passar.

Beijos carinhosos.

Simone on 19 de dezembro de 2011 16:58 disse...

Ro, so tenho a dizer..conte sempre comigo!!! ainda que virtual to aqui vibrando e rezando por vcs, sabes o qto lhe amo!!!! fiquem com Deus, bjossss

Novo Rumo Pintei meu mundo de azul on 19 de dezembro de 2011 20:03 disse...

Ro Desde que ficamos gravidas nos oreocupamos demais com nossos filhos, vc não é diferente e com razão,mas saiba que tudo nesta vidsa trem solução tenha fé na vida tudo vai dar certo conte sempre comigo sua mamis.

Anônimo disse...

RO, sua linda! Olha... EU CRESCI... Na escola "normal"... Nessa hora, acredite, tanto faz autismo clássico, aspergem ou AAF, somos todos os mesmos!

Tenho certeza que o Art. Vai se dar muito bem, assim como eu me virei em muitas, e hoje, minha esquisitice faz toda a diferença, em especial no meu trabalho!

Bjs autistas,

Dani

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