Não vou desistir, nem desanimar


A cena é a seguinte: Natal!
Eu sempre fiz questão de que meus filhos soubessem o que é o natal. Creio que já tenha dito isso AQUI. Nossa casa sempre teve árvore de natal, presépio, ceia, presentes e nunca nos esquecemos do verdadeiro significado dele.
Depois que viemos para nossa casa e o autismo entrou nela conosco, confesso que foi muito difícil comemorar os natais.
Montar a árvore e ver o rostinho de Artur encantado com as luzes e nada mais era estranho, às vezes doía, mas eu fiz.
Nunca desisti de nada, mas também nunca criei expectativas.
No primeiro ano ele colocou um carrinho na árvore e se encantou.
Dezembro de 2012 com 4 anos

A minha emoção foi indescritível.


Dezembro de 2013 com 5 anos.
Em 2013, ainda que aleatoriamente ele tentou participar e colocou o controle remoto.
E a gente nunca desistiu.
Esse ano, 2014, Artur mudou muito.
Assim como disse que em 2009 tive a impressão de que alguém tivesse trocado meu filho e colocado outro no lugar, esse ano a história se repete.
Artur não é mais o mesmo.
Hoje decidi, não faço ideia do porquê, mudar a data de montar a árvore. Sempre montamos dia 6 de dezembro, mas como ultimamente nossa vida é uma loucura incerta, resolvi adiantar.
Cheguei do trabalho e pedi para Ana Laura descer as coisas para montarmos, os 4.
A caixa da árvore ficou no chão e Artur me pediu para tirá-lá da caixa. Achei que era uma curiosidade comum e tirei.
Subi para tomar um banho e deixei os dois na sala.
De repente, Ana Laura me chama meio que apavorada para ver algo, desci correndo assustada e a cena que encontrei foi essa:





Peço que relevem a qualidade do vídeo, fomos pegos de surpresa, Artur sequer está vestido porque hoje fez muito calor, mas eu não podia deixar de dividir com vocês a felicidade que é ver meu filho entender as coisas.
Ele ainda não sabe quem foi Jesus, não conhece o papai noel, mas eu sei e vendo essa cena, sei o quanto merecemos esses acontecimentos.
Sempre choro quando venho aqui, esse é um dos motivos pelos quais decidi não vir mais.
Não quero mais mostrar o mundo do autismo como mundo do choro, quero mostrar o mundo do autismo como o mundo das conquistas, porque eu escolhi conquistar, não chorar.
E que a vida nos contemple com muitas postagens por aqui.


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Vou ali e já volto, ou não!!!



Foram anos bem intensos por aqui.
Teve vezes que eu disse que não viveria sem esse blog.
E não vivo mesmo.
Mas creio que para o momento não dá mais.
A proposta do blog é linda, me ajudou tanto por anos, mas hoje não me ajuda mais.
Talvez você pense que seria egoísmo de minha parte deixar tudo isso de lado, para trás e não ajudar quem precisa.
Mas entenda: o blog está aqui, permanecerá aqui.
Quando eu comecei, tinha pouca gente deixando os dedos gritar sua dor, seus medos, suas tristezas e decepções.
Hoje não, temos excelente fontes para isso.
Mas você deve estar se perguntando porque eu parei de escrever aqui.
Parei simplesmente porque essa dor que eu registrava aqui não tem mais espaço para minha vida.
Eu continuo chorando muitas vezes porque meu filho não é como eu sonhei, eu continuo chorando e sofrendo porque ele não fala, eu continuo sofrendo e chorando por muitas coisas, mas somente por um pequeno período.
Ao longo desses anos todos, que foram 5, aprendi a fazer muitas perguntas e as respostas nunca me deixaram bem.
Há um tempo eu decidi cagar e andar para essas perguntas, justamente porque nunca terei a resposta que quero.
Aprendi esse ano que sem as perguntas muita coisa no mundo não mudaria. Sem dúvidas, sem questionamentos, sem uma guerra dentro de você e com o mundo, as coisas não se transformam e justamente por isso, é que o blog não cabe mais na minha vida hoje.
Eu fiz minhas perguntas, eu travei minhas guerras, eu briguei com o mundo e tive minhas respostas, mas...... elas só mudaram a mim mesma.
Gostaria imensamente de dividir minhas respostas com todos vocês, seria o mais justo, mas algumas vezes nossas verdades são lúcidas apenas para nós.
Se um dia você esbarrar na verdade e estiver pronto para encontrá-la e aceita-lá, não será meu blog que fará a diferença.
A diferença ocorreu em você.
A nossa vida continua. Nossa batalha também.
Chorar, sofrer, passar tristeza, raiva?? Claro!!! Mas bem menos, muito menos.
Eu tomei as rédeas de mim, eu hoje tenho sonhos, planos, estou investindo pesado em projetos, eu não sou mais só a mãe que viaja.
Eu viajo, eu estudo, eu trabalho, eu invisto, eu caio, eu tropeço, eu sou eu.
Os resultados??
Favoráveis sempre.
Aquilo que não nos mata, nos fortalece.
Gostaria de agradecer a todos que sempre nos acompanharam por aqui e em meu perfil pessoal.
Continuo dividindo o que posso sobre nossas conquistas,  mas dentro do que é saudável para nós.
Vou dar um tempo por aqui.
Sinto que o blog ficou pequeno demais para mim e não quero pensar que ele cresceu muito para algo que hoje não é mais eu.
Como não acho justo ir embora sem deixar notícias, deixo aqui meu perfil pessoal do facebook e de outro blog para quem quiser e tiver interesse em saber sobre nós.
Beijos e obrigada!!! Sem vocês, sem os comentários, sem as suas visitas eu com certeza não estaria escrevendo essa postagem de despedida.
Vou ali, talvez eu volte um dia, ou não!!!

 Roberta Evangelista
Autismo e dieta Paleolítica
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Tudo resolvido???


Sim, aparentemente sim.
As aulas começaram na última sexta-feira para Artur.
A estagiária estava lá e ele pode enfim voltar a sua rotina.
O que eu posso dizer sobre como foi??
Parece que as aulas terminaram na semana passada.
Artur acordou cedo, se arrumou, foi para a escola e lá permaneceu todo o período.
A escola é a mesma, mas a estagiária, a professora, a diretora, o coordenador são novos.
Fui conversar com o coordenador na quinta e ele pareceu-me muito aberto ao diálogo, ouviu-me direitinho sobre as orientações quanto à dieta.
Mostrei as fotos de como fica seu corpo em contato com o glúten e tudo mais.
Como estávamos muito em cima da hora, optamos por eu levar suas refeições de casa. Mas a partir de amanhã não precisa mais.
Creio que se as coisas continuarem se encaixando dessa forma, em mais um mês poderemos falar sobre sua abordagem pedagógica.
A fono e eu temos falado sobre PECs e acho que é um método bem legal para Artur aprender a se comunicar e estudar.
Espero que esse ano eu não tenha nenhum problema com os dirigentes da escola porque sinceramente estou muito, muito cansada de tudo isso.
Cansada de fracassos por conta de vaidades pessoais, cansada de mandar as pessoas irem se foder enquanto na verdade elas apenas deveriam fazer seu trabalho.
Por enquanto quero só curtir o momento e ficar com as boas emoções e agradecer aos envolvidos pela atenção especial com meu filho.



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Todos sempre nos rotulam como mães especiais, quem nos conhece sabe que às vezes não dá.
Hoje admito que estou tentando ser.
Acordamos cedo levando sustos, mas estava tudo vem, apesar da revolta, engoli tudo e arrumei Artur para seu primeiro dia de aula.
Ele resmungou um pouco, mas acordou.
Quando eu falei: Vamos para escola, pude ver aquele sorrisão gostoso q ele tem.
Colocou o uniforme, escovou os dentes e ficou feliz.
Quando eu falei: Vamos??
Deu aquele famoso pulo da cama e foi.
Queria ir de bicicleta na cadeirinha como o papai faz e ele adora, mas admito que bicicleta não é um meio de transporte que faça minha cabeça.
Fomos de carro e ele logo parou de reclamar.
Quando o carro parou na porta da escola e chegou a hora de descer, mais um sorrisão.
Entramos e logo fomos abordadas por uma "tia".
Fomos levadas até uma responsável pela escola e enquanto ela foi buscar a lista de estagiárias Artur já queria entrar. Viu uma professora que conversou com ele e ele logo se levantou para ir com ela para a sala, mas Artur agora é um mocinho e a Pré escola já passou.
Enfim, a coordenadora chega e nos informa que ainda NÂO providenciaram uma nova estagiária para ele.
A última vez que reclamei algo referente à escola no meu facebook deu uma confusão tão grande, a professora, diretora, coordenadora ficaram magoadas comigo. Fiz o que eu podia para mostrar que eu havia sim errado, mas q logo em seguida tentei me redimir.
Infelizmente, muitas vezes desculpas não são suficientes, as pessoas querem tripudiar dos acontecimentos e nossa relação ficou seriamente abalada.
Eu não vou falar nada sobre o assunto, mas vou reclamar que se talvez as pessoas tomassem mais conta da vida real e parassem de se preocupar com o que eu posto no facebook, hoje eu não tivesse que tirar meu filho todo triste da escola pq não tinha condições dele assistir seu primeiro dia de aula sem uma estagiária.
Penso muitas coisas, mas vou atrás da vida real, não quero resolver nada pelo facebook, quero olho no olho pq é assim que deve ser, só tô escrevendo aqui para não chorar, pq vontade deu, mta!!
Por outro lado, estou orgulhosa demais de mim.
Eu levei meu filho na escola sozinha, eu fui lá resolver tudo, eu segurei a minha onda, eu acho que finalmente depois de 4 anos serei uma boa mãe para representar a a vida escolar do meu filho com muita dignidade.
E apesar da frustração, estou feliz por ver o quanto meu filho ama a escola e o quanto eu consegui superar muitos traumas e o quanto estou crescendo para resolver as coisas com mais maturidade.

E vamos à luta, pq ela nunca terá fim!!
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Consegui!!!


Eu nunca fui uma pessoa fácil.
Ou talvez eu seja fácil demais e as pessoas não conseguem acreditar nisso por gostarem de acreditar num impossível inalcançável.
Ocorre que eu sou uma pessoa difícil não de entender ou se relacionar, mas de aceitar algumas condições.
Deve ser porque eu tenho um defeito: sou perfeccionista.
A perfeição realmente nunca chega, mas eu sei que todas as vezes que a tive como meta derrubei muitas barreiras.
E assim, eu fui vencendo muitas coisas.
Há alguns meses eu disse que ia dar um tempo daqui.
Falei sobre a minha insatisfação sobre alguns tratamentos que tinha para meu filho, também sobre a ausência de outros.
Entrei com dois pés numa carreira "solo".
Digo solo entre aspas, pois sem a ajuda da minha família, nada teria dado certo.
3 anos de muita luta desde que a soja surgiu em nossas vidas. Alergias?? Somente à poeira. Suspeitas?? Muitas.
Hoje, depois de 3 anos de buscas, depois de tanta luta, depois de 6 meses estudando sozinha (tive ajuda de outras mães autistas, sem médicos) em como salvar literalmente a pele de meu filho posso encher minha boca, estufar meu peito e sacudir muito esses dedinhos para digitar essas letrinhas e mostrar para vocês que eu consegui a cura.
Jamais busquei a cura para o autismo, até porque meu filho não é doente, mas encontrei a cura para muitos de seus desconfortos e hei de conseguir ainda mais.
Por hora, deixo a foto de um "antes e depois" inesquecível, um dos mais lindos que eu já vi. Com ela eu derrubo muitas barreiras para atingir muitas conquistas.



E tenho certeza de que isso é só o começo.
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Mundo REAL


Durante 4 anos e 6 meses eu divido diariamente com meus amigos como é a vida do meu filho autista.
Pessoas que me conhecem desde o finado orkut e que me conheceram através do meu blog sabem exatamente como ela é.
Meu filho progrediu muito, melhorou muito e SOFREMOS muito também.
Não houve nenhum Rafael, Fernando, Flávio, Pedro, ninguém que não fosse a família dele ou pessoas procuradas por nós que tivesse feito diferença em sua vida.
Não vou dizer que a novela não foi legal, afinal somos quase 2 milhões de autistas só NO BRASIL e éramos DESCONHECIDOS.
Hoje, quem assiste novela sabe que nossos filhos existem.
O que eu quero pedir para você, é que, assim como em outros personagens você separa a ficção da realidade, que faça o mesmo com a história da Linda.
Principalmente no que diz respeito à família, da mãe, da intervenção.
Eu acredito muito em milagres, tenho muita fé em muitas coisas, mas eu nunca, de maneira alguma deixei apenas ela intervir em minha vida.
Não houve uma noite que eu dormi em paz pensando em como vai ser o mundo lá fora para meu filho quando ele for adulto e eu não mais estiver aqui. Mas quando eu acordo, minha meta é tornar uma vida possível todos os dias.
Não houve uma vez na vida que eu não o incentivei a crescer e melhorar.
Eu jamais vou querer ver meu filho escondido dentro de casa feito bicho.
Eu jamais vou permitir minha filha mais velha ou qualquer outra pessoa tratar meu filho sem o devido respeito que ele merece.
E não sou só eu.
Existem milhares mães de autistas que são pequeninas e tem que dar conta de um filho grande, forte, durante suas crises nervosas como as de Linda, muitos deles quebram não só a casa, mas também quem tenta intervir, dar amor e acalmá-los.
Não é fácil ser mãe de um autista.
Não deveria ser fácil criar esteriótipos em rede nacional também.
Mas realmente o que mais me doeu foi a falta de exploração da novela sobre a nossa realidade.
Linda teve intervenção muito tarde, mas foi tão fácil começar que me admira e muito como não começou antes. Ah, lembrei!! Foi CULPA da mãe.
Fico muito triste em ver o quanto a novela poderia mostrar outros autistas, outras histórias incorporadas à de Linda e não fez. Nessas horas, por mais que não goste do estilo de Glória Perez, sei que se fosse ela, faria, daria.
Sinto muito o país não ter ideia do que é ter sua matrícula rejeitada numa escola, ou de quando consegue matricular, ser rejeitado, deixado de lado, convidado a se retirar.
Sinto muito as pessoas não poderem ter conhecimento de como é o dia a dia de uma família autista, cheia de terapias, horários, estudos, cheia de esperas eternas para uma consulta médica, de brigas feias com médicos desatualizados que teimam em achar que nossos filhos precisam ser dopados, cheia de nãos e incertezas dolorosas, mas que ainda assim não deixam de ser felizes e acreditar numa vida melhor.
Sinto muito, muito mesmo pelo autor da novela ter ignorado quantos somos, como vivemos e principalmente, do que precisamos.
Por essas e outras que há muito tempo eu não vejo novela.
Por essas e outras que eu vivo no MEU MUNDINHO.
Mas continuo fazendo questão de dividir com meus amigos, com quem possa interessar como é o dia a dia de uma família autista.
Eu não tenho o poder de comover um país, mas eu tenho meu blog, meu perfil pessoal de uma rede social, eu tenho minha vida real, meus exemplos, minhas lutas e quem quiser realmente saber como é a vida de um autista, seja criança, seja adulto é só me perguntar, o que eu não souber, conheço centenas de mães lindas, perfeitas, lutadoras, guerreiras e que AMAM INCONDICIONALMENTE  seus filhos para explicar.
Não vou xingar a Bruna, não vou amaldiçoar Walcir Carrasco, eu vou apenas pedir para você que está me lendo, que se houver interesse em nossa realidade, que busque, que se informe a cada dia existem mais autistas no mundo inteiro e eles um dia podem precisar de você e eu acho que se o país se comoveu com a história distorcida de Linda, não terá dificuldades em se comover com as dificuldades de uma família autista REAL.
Pense nisso, informe-se, busque, interesse-se e poderá observar o tamanho da falta de respeito que foi dada às mães dos autistas, às famílias que, querendo ou não, já são muito esteriotipadas, agora terão motivos de sobra para ser muito mais por quem não sabe como é a sua vida de verdade.
Não dá para ter um filho rejeitado, ignorado, desprezado, viver num mundo à margem de tudo sem se revoltar, brigar, esbravejar, somos briguentas mesmo, só não acredite de maneira alguma que somos como a mãe de Linda.


Beijos.

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História pra dormir


Nossa história começa assim:
Era uma vez um menininho lindo chamado Artur.
Artur sempre foi uma criança linda, amada e feliz.
Um dia sua alegria foi embora.
Sua mãe, que o amava muito, achou tudo isso estranho e resolveu investigar.
Primeiro o levou em diversos médicos, ele fez diversos exames e continuava triste.
Sua mãe não desistiu, mudou ainda mais seu jeito de pensar, de falar, de entender, de comer e, principalmente, de ensinar.
A vida de todos se transformou numa rotina de muito amor.
Artur hoje não é mais um menininho lindo e triste.
Artur hoje é um menininho lindo e feliz, que sorri toda hora e deixa seus pais e todos a sua volta felizes também.


E eles viveram felizes para sempre......


Levou quantos minutos para ler essa história??
Artur levou 5 minutos para ouvir e dormir.


Boa noite!!!!!!
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Viva 2014!!!


Eu adoro essa época de festas!!!
Acho o máximo a sensação de renovação que ela nos traz, desde muito criança eu sempre curti.
É uma fase de reflexões, de promessas, de perspectivas, ainda que todos saibam que dia primeiro não aconteceu nada  rsrs
Mas essa 'virada' de ano foi engraçada.
Mesmo apesar de tantas conquistas, inclusive na queima de fogos, eu senti algo diferente.
Em 2014 eu não prometi nada para mim, nem nada para ninguém. Não fiz grandes sonhos, nem grandes promessas.
2014 não me traz medos enormes, também não me traz saudosismo de 2013.
A sensação é de que eu aproveitei tudo o que a vida poderia me dar esse ano que passou.
Eu tomei decisões importantes para mim.
Restaurei coisas que eu dava como perdida.
Eu renasci mais uma vez quando achei que tinha perdido tudo a respeito do tratamento do Artur e achei um tratamento totalmente eficaz e dentro do que eu esperava para ele.
Eu também me senti muito sozinha esse ano, mas faz uns bons anos que entendi que é importante estar só para aprender a valorizar as companhias.
E esse ano a vida me reservou companhias excelentes, mais pessoas que quero carregar para minha vida por muitos anos e que se por ventura não conseguir, tenho certeza de que carregarei pelo resto da vida dentro de meu coração.
O primeiro semestre não foi algo muito fácil para mim, tanto que as lembranças são mínimas.
Mas de um modo geral foi um ano cheio de positividade e energia boa.
2013 foi um ano importante para eu aprender e entender definitivamente de que eu não preciso de migalhas nenhuma.
Foi mais um ano que tive que lidar com a depressão sem causa específica, como sempre sazonal, mas digo que foi bem diferente.
2013 foi um ano onde eu abri a minha mente para coisas novas, deixei de acreditar no fácil e entendi que lutar é ir em busca da sua verdade. E eu não tenho medo da minha verdade, pois eu sou uma pessoa muito cética, muito centrada, de opinião e não sei viver sem bons argumentos e bons resultados.
E foi assim que abri meu coração, senti medo, senti desespero, estudei mais do que quando pretendi fazer um vestibular. Iniciei mais uma etapa do módulo autismo e, se existe um pedido que eu tenho para 2014, é sabedoria.
Sabedoria para conseguir ler tudo o que preciso, estudar mais a cada dia e entender muita coisa para poder buscar ainda mais qualidade de vida para meu pequeno.
2013 foi o ano em que eu mandei muita gente ir SE FODER. Muitas vezes sem sequer proferir algum som.
2013 também foi um ano onde eu cansei de muitas coisas e me permiti ter preguiça de gente.
Me estressei de verdade com pessoas que não sabem ler o que eu escrevo e nem compreender que mesmo sendo tão forte eu ainda sou humana e erro.
E que o que me diferencia de muitas pessoas é que mesmo que não resolva para algumas pessoas, eu sei admitir e tentar me redimir do meu erro.
Mas, como eu disse, esse ano eu disse muitos Foda-Se e para essas pessoas não economizei. Fodam-se mesmo.
Cansei também de pessoas âncoras, aquelas que tem um 'peso' e por conta dele resolvem se afundar. Para essas, eu dei o meu silêncio e poucas atenção quando solicitada.
Em 2013 meu filho cantou, dançou, brincou, leu muito, aprendeu a ver desenhos animados, escolher seus favoritos, PAROU com as esteriotipias, melhorou de suas dermatites, se formou na pré-escola, aprendeu a pedir comida, aprendeu a ir ao banheiro, a comer sozinho e mais uma vez viu com muita classe 2014 chegar.
Não consigo tirar boas fotos, eu sei, o celular não colabora, a emoção é muito grande, eu fico toda atrapalhada.
Mas eu não poderia deixar de dividir com vocês mais uma vez a emoção de ter um autista adorando a queima de fogos na praia. Tenho essas fotos aqui:


Fomos à praia, mas Artur não curtiu a aglomeração, então deixamos nossa pequena e linda filha com a avó na areia e fomos para a rua na Orla da Praia. Artur adorou.
Enquanto ele admirava as luzes, observava os sons e buscava olhar para todos os lados de onde ele vinha, papai nos abraçou. Foi um abraço a 3.
Nesse abraço pude experimentar diversas emoções. Muitas boas e ruins.
Senti alívio por ter conseguido melhorar nossas vidas, por ainda estarmos todos juntos.
Daí pensei no juntos.
Nós três ali, tive a sensação do 'para sempre'.
Sempre estaremos juntos e ligados.
Sensação que me deu prazer e medo ao mesmo tempo.
Não é fácil olhar para sua vida e ver que um pedaço dela será dentro do convencional, sua filha está crescendo, se separando de você, fazendo escolhas por caminhos por onde você nem sempre conseguirá percorrer enquanto o outro estará sempre lá, numa incerteza angustiante.
Mas como já estamos em 2014, já aprendi que esse tipo de sensação não deve ser alimentada.
Mudei o foco dos pensamentos, peguei tudo de bom que existia naquele momento e curti cada luz, cada estouro dos fogos de artifício.
Tive a sensação de que está tudo tão bom, tão gostoso, tão estável que não tive tempo de querer mais, por isso a inexistência de tantos planos como em outros anos.
2014 chegou e com ele eu só quero melhorar o que comecei, ampliar meus horizontes e crescer o que eu puder.
Porque como estamos conectados um ao outro nesse lar, nunca crescerei sozinha.

Feliz 2014!!
Que a paz, a estabilidade, as conquistas e a saúde façam parte desses 12 meses que estão por vir.
E parece que foi ontem que escrevi algo semelhante.
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O nosso formando


Bem, como eu havia dito por aqui, estava receosa como sempre com a formatura do pequeno Artur.
Fiquei ansiosa o dia todo e fui pronta para chegar na porta da escola e ele sequer querer entrar como em todas as festas do ano.
Mas, para minha surpresa, Artur não só entrou na escola e, quando se deparou com essa cena, caminhou pelo tapete vermelho sozinho até seus colegas de classe.
A coordenadora encontrou uma cadeira próxima a ela para ele e lá ele permaneceu.


Preciso dizer que nesse momento eu desandei a chorar compulsivamente???
Não né???
Não é fácil você tomar decisões que muita gente não tem coragem, não é fácil você fazer escolhas que envolvem o bem estar de seu filho, mas que caminham pelo desconhecido e eu fui e fiz.
Ver meu filho fazendo coisas incríveis para nossos olhos e muitas vezes impossíveis para ele é uma demonstração de que tudo tem valido a pena e só me anima a não desistir de nada.
E essa cena então???
Meu gatão, sentadinho em sua cadeira, esperando sua vez de pegar seu diploma. Taí outra imagem que não tem preço.
Hoje sinceramente não sei muito o que escrever para vocês, estou atrasada com a postagem, com a cabeça em outras emoções, outros blogs que tenho também, mas quero deixar tudo, tudo registrado aqui sobre como tem sido nossa vida.
Foi um dia especial e inesquecível.
Quem sabe um dia Artur veja essas fotos e se lembre, talvez ele consiga ler o que escrevo, talvez ele fale, talvez ele faça um monte de coisas, mas por hora, vou ficando apenas com suas conquistas nunca deixando de lutar por mais e mais.
Beijos do meu formando do Ano.

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Uma formatura de outro nível


Artur uniformizado para foto de formatura
Dia 17 de dezembro será a cerimônia de formatura do Período Pré-Escolar do Artur.
Pensei muito antes de postar. Se deveria esperar para postar depois para ver se teria fotos, mas decidi postar antes.
Como sempre, pode ser que Artur não se sinta à vontade para participar da cerimônia e para controlar minha ansiedade e minha mente inquieta decidi postar antes.
Não é uma simples formatura pré-escolar.
Seria se Artur não tivesse passado por tudo o que passou. Se não tivesse sido tudo o que foi.
Já no maternal foi literalmente rejeitado, era devolvido todos os dias até que foi convidado a sair da escola. Mesmo assim, Artur chorou só no começo como qualquer outra criança.
Mesmo sempre doente, incomodado com o desconforto de sua alimentação errada, Artur não chorava para ir para a escola.
Passava o dia inteiro lá, tentando se superar a cada dia e assim o fez.
No dia que não ia à escola, passava o dia inteiro fora, dentro de uma kombi, por horas, para fazer 2 horas de terapia no máximo.
Ainda assim, Artur nunca disse que estava cansado. Ele apenas ia.
Mesmo passando fome. Sim, Artur passou fome na escola, emagreceu porque não sabia pedir, ou não gostava da comida, ainda assim, Artur foi para a escola.
Mesmo depois de mais e mais mudanças, fosse na alimentação, fosse na sua rotina escolar, Artur foi para a escola o quanto pode.
Mesmo enfrentando as dificuldades que são suas, as dificuldades que qualquer pessoa que não convive com suas dificuldades tem, Artur nunca reclamou, nunca chorou no portão que queria ficar com o pai, mesmo com sono, Artur foi para a escola sempre que pode.
Artur nunca dançou quadrilha, nunca entendeu quem é o coelho da páscoa, não sabe quando é o dia dos professores, mas Artur sabe o que é amor e Artur sempre amou e deixou doçura por onde passou.
Mesmo não frequentando a escola como eu gostaria, mesmo a escola não sendo como deveria, todos nós sempre tentamos e muito conseguimos.
Artur aprendeu a se alimentar sozinho, Artur aprendeu ir ao banheiro, Artur aprendeu a pintar, Artur aprendeu a se interessar e tudo isso foi com a ajuda da escola.
Talvez, antes de muitas crianças, hoje tenho certeza de que Artur sabe ler e isso ele aprendeu sozinho.
Talvez ele nunca seja o melhor aluno da classe, talvez ele nunca consiga fazer uma atividade dentro do esperado.
Certamente nada foi como eu sonhei, mas essa certeza jamais me impedirá de ver as conquistas do Artur.
Uma criança que tem intolerâncias e alergias alimentares e sofreu demais com tudo isso. Uma criança que tem dificuldade de interação social, que não fala, uma criança que tem atraso no intelecto e conseguiu tudo o que Artur conseguiu.
Artur vai se formar e não é apenas na pré-escola, Artur está se formando um novo ser todos os dias, ele está crescendo, se transformando numa pessoa melhor.
Artur será um grande homem. Talvez ele não trabalhe fora, talvez ele não seja um pai de família, mas Artur vai ser alguém.
Alguém que fez diferença para si, alguém que transformará a vida de muitas pessoas em alegrias, em realizações, em aprendizado, Artur não só será um grande homem como será um transformador de grandes pessoas de bem.
Artur não é um anjo, Artur não é um 'enviado' especial para iluminar nossas vidas.
Artur é muito mais que isso.
Artur é um menino que nunca desistiu, Artur é alguém que eu aprendi a admirar e batalhar todos os dias para tentar ser como ele.
Artur é alguém que consegue ser muito mais que muita gente, dar um banho de determinação e conquistas em quem vive por anos uma vida melhor e com tantos mais recursos.
Artur é meu filho, meu amor, minha grande inspiração sempre.
Parabéns para ele que me ensinou que na linguagem do autismo não existe a palavra DESISTIR.
Parabéns para o Artur que representa o grande significado da palavra SUPERAÇÃO.

E vamos para um novo ano, uma nova fase, em busca de mais conquistas!!!!
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Então tá


Ele acha que o problema é tempo.
Ela acha que não tem nada a ver.
Ele diz que faz demais.
Ela diz que faz tudo que pode.
Eles não são mais felizes.
Ele acha que o problema é o trabalho, aliás, sempre foi.
Mulheres deveriam se dedicar à família.
Ela acha isso ridículo, ainda mais quando a questão financeira não fica bem definida com uma pessoa só.
Ele acha que ela não ajuda.
Ela acha que ninguém vive para sempre, que nada é para sempre e que todos devem caminhar com suas próprias pernas.
Ele acha que o problema é o trabalho, sempre.
E ela, para não ouvir que não cedeu, que não lutou, que o deixou sozinho, vai ceder.... mesmo sabendo que não vai adiantar nada.
Porque Ele simplesmente decidiu ser infeliz.
Ser mulher é malabarismo puro:
Às vezes palhaça.
Às vezes dramática.
Às vezes burra.
Creio que eu já tenha culpas e responsabilidades demais, não quero essa para mim.
Mudando de vida (ou não) em 3,2,1...

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Cansada de protocolos


Ultimamente eu ando muito mais cansada dos protocolos que o autismo exige, mas do que de costume.
Sempre o mesmo assunto, sempre as mesmas abordagens.
Sempre as dificuldades e sempre SOZINHA.
Acredito que semana passada foi a gota d'água para mim.
Artur fez exames para alergia.
Realmente foram muitos.
Não sei identificar um por um agora, mas todos os exames para reagentes específicos deram negativo, principalmente os de alergia alimentar.
A não ser para alergia ao Pó.
Mas, o exame que mede o nível de alergia foi devastador.
Para sua idade o ideal seria  menor 60UI/mg e o resultado foi acima 1290 UI/mg .
Não sou médica, não sou estudante, não entendo muito, mas será que precisa ser para compreender que meu filho está sofrendo graves problemas de saúde por ser alérgico?? E será que realmente esses tipos de exames são suficientes para negativar uma alergia alimentar???
A pergunta que mais me fiz todos esses dias foi: "Por que nunca nos pediram exames tão simples e comuns??"
Senti raiva de mim por diversos motivos que por questão de ética não citarei aqui, mas tem sim a ver com os quase 3 anos de tratamento na faculdade onde ele foi atendido por alunos, professores e tudo mais.
Resolvi dar um tempo do mundo autista, pelo menos das intervenções básicas.
Não vou me desesperar atrás de psicólogos, terapeutas, vou esperar, fugir, inclusive desses nutricionistas.
Uma mãe não merece esperar a boa vontade dos médicos enquanto vê o corpo de seu filho inteiro assim

Tenho estudado outras formas de ajudar meu filho.
Estou estudando muito, lendo muito e tentando muito.
Os resultados serão demorados, estamos há muito tempo sofrendo com dermatites, bronquites e todas "ites" possíveis que todo alérgico costuma ter.
Eu não me importo com o que as pessoas pensam a respeito.
Pensar a respeito é muito vago, é muito nada quando você tem um filho com a pele sangrando sem você ter ideia do que ocorre.
Não preciso me desesperar para que meu filho fale, não preciso me desesperar para que ele esteja ao lado de alguém que o ensine o que eu não sei ensinar.
Eu preciso do meu filho bem.
E estou em busca disso.
Estamos em fase de testes, estamos em fase de estudos.
Por questões lógicas, não vou divulgar nada aqui nesse blog.
Tudo o que eu não preciso é de mães se descabelando achando que estou em busca de milagres.
Sou apenas uma mãe desesperada em busca de qualidade de vida para meu filho. Ele precisa de saúde e no momento não a tem.
Também não preciso de gente me criticando pelas minhas escolhas. Eu preciso de pessoas observadoras, pessoas de mente aberta, pessoas que tentam de tudo antes de se sentar no chão e chorar.
E eu me enquadro nesse segundo tipo de pessoas.
Daqui pra frente, por um tempo indeterminado, somos eu e meu filho.
A vida com seus mistérios criou coisas em mim que não sei de onde vem.
Muitas vezes tive vontade de perguntar ao meu psiquiatra se ao invés de TBH eu não possa me enquadrar no espectro autista.
Mas daí eu paro e penso que na verdade, para compreender e ajudar meu filho, eu me tornei um pouco autista também.
Não apenas no comportamento, mas na questão de saúde.
Recentemente eu fiquei muito doente. Os meus problemas de saúde foram semelhantes aos do meu filho: diarreias, cólicas intestinais, dermatites e tudo mais que poderia vir no pacote.
Procurei em vão médicos que pudessem me ajudar e nada aconteceu.
Gastei dinheiro que não tinha com viagens para exames, sofri com todos eles, gastei mais dinheiro com remédios e nada aconteceu, o sofrimento permaneceu.
Até que um dia, o conhecimento foi entregue a mim e com ele, muito estudo e dedicação eu tomei as rédeas da minha vida e organizei minha saúde.
Sinceramente ainda acho cedo fazer outro exame tão invasivo para detectar minha cura, ou pelo menos estabilidade, mas é indescritível saber que eu acertei e me sentir humana novamente.
Então, como eu disse, daqui pra frente, minha relação: Artur, eu e os médicos será muito bem melhor selecionada.
Quero profissionais que aceitem o novo, que se permitam ousar e que principalmente, assim como eu: devolvam à saúde do meu filho.

Para quem tiver interesse em acompanhar nossa trajetória, deixo o endereço do meu blog para MEU ESTUDO e o andamento de minhas teorias e práticas.

Mas adianto desde já: Não vou admitir de maneira nenhuma críticas ou argumentos sem embasamento científico. Primeiro estude, primeiro informe-se, depois argumente. Também não posso ajudar para quem se interessar pelo assunto, a única dica que deixo é: Se você acredita, se você quer, estude. Aprenda e se empenhe.

http://autismo-dieta-paleo.blogspot.com.br

Beijos
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Minha consideração pessoal.





Foram quatro domingos.
Quatro reportagens sobre o tema autismo.
Antes de qualquer opinião pessoal, quero dizer que estou muito feliz por ver o autismo abordado de uma maneira mais profunda e abrangente.
Nunca fomos tão vistos, nunca estivemos tanto em evidência e isso é importante.
Mas, continuamos na mesma.
Olhando de maneira totalmente pessimista, ficou claro que quem tem dinheiro tem mais acesso a melhoras significativas, mas nós que temos um autista em casa sabemos que não é bem assim.
Autismo requer envolvimento, comprometimento.
O que seriam de nossos filhos sem isso?
Achei que algumas coisas não ficaram claras e gostaria de evidenciar e muito, pois recebi questionamentos de mães de recém-nascidos preocupadíssimas porque seus bebês não olhavam em seus olhos enquanto mamavam.
Achei que realmente faltou dizer que para se caracterizar uma criança dentro do espectro autista, é necessário uma avaliação muito profunda e abrangente.
Eis os sintomas frequentes, não que todos os autistas DEVAM apresentar, mas podem ser observados numa criança portadora de autismo:


Sei que é uma falha minha estar desatualizada sobre quantos dos sintomas a criança precisa apresentar para se enquadrar no espectro, mas no tempo em que eu desconfiava do autismo no meu filho eram pelo menos 8 (oito).
Vejam bem, não é apenas um sintoma.
O espectro autista costuma ser muito sutil em bebês, algumas crianças em sua maioria, manifestam após 1 ano e meio de idade.
E foi como aconteceu com meu filho.
Tínhamos contato visual, a parte neurológica era totalmente preservada, a parte motora dentro do normal e somente quando ele tinha 1 ano e meio é que achei estranho o fato dele não imitar os adultos, não dar tchau, não manter contato visual, não falar nada e, principalmente, não andar,  já que andava segurando pelas coisas desde os 10 meses.
Depois que tive acesso a muitas informações, pude identificar o autismo no meu filho bem antes do que tive o diagnóstico, mas era tão sutil que só com um alerta e conhecimento é que pude perceber.
Acho que foi uma das coisas que as reportagens pecaram.
Também foi muito triste ver que não termos perspectivas, ou seja, o sistema é falho, a lei não funciona e só.
As reportagens serviram apenas para que todos saibam o que já estamos cansados e massacrados de saber.
Foi muito lindo, maravilhoso ver as vitórias de nossos filhos, porque todo autista é um pouco nosso filho também.
Faltou dizer que temos dificuldades com diagnóstico justamente por falta de profissionais dedicados ao autismo.
Faltou dizer que existem estados em nosso país que sequer possuem psiquiatras, ou apenas 1 para atender o estado inteiro.
Faltou mostrar as soluções que nosso país busca para providenciar atendimento para nossos autistas, mas o  fundamental para nossos autistas, não faltou: AMOR.
Em cada olhar sofrido de pais, em cada beijo, abraço de um lutador do autismo ou um autista ficou evidente a quantidade de AMOR que emana através desa  luta.
E é assim que tem que ser.
Somos lutadores, somos semeadores do AMOR.
Não somos vítimas de nada que não o descaso, mas ele não pode e nem vai nunca atrapalhar o trabalho do AMOR.
Algumas vezes pode levar mais tempo, algumas vezes é rápido, algumas vezes pode levar até ao abandono, mas tem AMOR demais no mundo e sempre haverá um humano bem dotado para doá-lo.
Muitas vezes sinto-me só, desamparada, desassistida, mas são momentos raros, porque basta pensar em tudo o que eu aprendi, em tudo o que eu vivo, o sorriso do meu filho, seu olhar vivo, seu interesse pela vida, basta vê-lo fazer suas escolhas, suas exigências e até mesmo seus defeitos, nos amigos e parceiros que adquiri que eu vejo o quanto estou bem acompanhada e o quanto estou no caminho certo.
Aceitei meu filho, aceito suas dificuldades, batalho diariamente driblando minhas limitações, minha auto-piedade para dar qualidade de vida a ele e a minha retribuição, meu resultado sempre foi o sucesso.
Não tenho controle do futuro, não posso prever, fazer grandes perspectivas e isso é muito doloroso porque tenho consciência de que o mundo não é justo e bom.
Mas não posso viver em função desse medo, alimentar essa insegurança porque eu preciso pensar no meu filho.
Quem deveria sentir medo era ele, quem deveria sentir revolta era ele, quem deveria se sentir desamparado com sua situação é ele e eu só o vejo sorrir e tentar aprender.
No final vejo que quem tem muito mais a aprender somo nós, a dificuldade está em nós. Nossos autistas são básicos, simples,  humildes e humanos, nós que com nossa sabedoria é que queremos transformar tudo.
Eles vivem com o que tem, aprendem com o AMOR que dedicamos e isso independe da ajuda que temos ou não.
Creio que a única dica que eu tenho para dar é a de sempre: Procure ser o melhor que puder , aceitar seu filho como ele é. Não sinta dor por ele não se encaixar dentro dos padrões exigidos pela sociedade, ninguém se encaixa, apenas fingem muito bem.
Não se pergunte porque você, não pergunte sobre o futuro, não destrua seus sonhos, não faça nada além de amar e ensinar seu filho a buscar.

Como eu sempre digo:

ACEITE SEU FILHO COMO ELE É. DEPOIS ENSINE-O A BUSCAR O MELHOR QUE ELE PUDER SER.





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E eu me lembro de como foi fácil da primeira vez.
Era tanto amor que existia dentro da gente, tanta vontade de dar certo e a gente fez.
Planejamos de um jeito louco, inconsequente que só os ótimos sabem ter e fizemos dar certo.
Claro que não foi fácil, enfrentamos muitas dificuldades, mas o desejo de dar certo foi sempre maior.
E você foi pai e eu fui mãe.
Realizamos o sonho um do outro.
E você foi o melhor pai que pode ser.
E foi bom e eu quis mais.
E você teve medo. Relutou, deve ter-se lembrado das dificuldades que enfrentamos, mas eu insisti e mais uma vez, engravidei.
Engraçado como das duas vezes você recebeu a notícia no dia dos pais. Muito engraçado mesmo.
E você sempre foi o melhor pai que pode ser.
E eu sempre me orgulhei disso.
Lembro de quando tivemos medo de quando tudo se desfez em nossa frente e você não sabia mais ser pai.
Mas como eu também não sabia mais como ser mãe, me apeguei no quanto você sabe amar bem e te guiei.
E eu me orgulho de cada coisa que você faz.
Não me recordo de ter conhecido um pai tão fofo como você.
Aquele que descobre que a filha de 15 anos está namorando no dia de seu aniversário de 40 anos e pula de felicidade.
Aquele que faz tudo o que o filho precisa sem medir esforços.
Aquele que quando perde a paciência apenas reclama alto.
Aquele pai que não bate nunca.
Um pai presente, especial, ponderado, brincalhão ,chato, mas que vive para sua família.
E quem dera toda família pudesse ter um pai como você.
Um pai que se orgulha da família que tem.
E a gente nunca ia ser uma família igual às outras mesmo.
E eu só agradeço a Deus por ter tido você.
Por ter tido meu pai, também.
Ele também fez parte das minhas escolhas, ele me orientou o quanto pode e hoje se sou a mulher que sou é porque meu pai esteve lá.

Eu só quero agradecer aos homens (os de verdade) por existirem e fazerem parte de minha vida.
Com eles eu pude provar a sensação de me sentir protegida e hoje é dia de agradecer a eles tudo o que eles são e ao que me ajudam a ser.

Obrigada!!!!♥
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Ao zero novamente?


Então é isso!!
A história se repete sempre!!
Você vai ao médico, se anima, tem um trabalho FILHO DUMA PUTA para conseguir guias, encaixes, exames, deixa seu filho sem comer, ser sedado para..................????
NADA.
Claro que não tem notícia melhor do que saber que os resultados dos exames são excelentes.
Que seu filho não tem nenhuma doença degenerativa, nenhuma síndrome grave ou rara.
Mas dói porque qualquer lugar que eu vá, qualquer palavra que me digam, a qualquer dispensa médica eu sempre "ouço":
"—Você precisa de dinheiro para cuidar de seu filho".
E assim, lá foram mais  de 1 ano desde o pedido, 4 meses de toda essa trabalheira, cansativa, com a cirurgia e recuperação do meu marido no meio, meus problemas de saúde que estavam desagradáveis, perdidos.
Muitas vezes me perguntei e me perguntaram porque meu filho tinha 5 anos, quase 4 anos de diagnóstico e não tinha feito nenhum exame desse tipo.
Muitas vezes senti culpa por isso.
Aliás, vale mencionar que para fazer todos esses exames eu tive que trocar de plano de saúde, batalhar pela compra da carência, esperar alguns meses para que pudesse fazer esses exames e conseguir atendimento com essa médica o que me custou algumas caixas de bombons pela delicadeza das atendentes da clínica.
Tudo isso para ela olhar para mim e dizer:

"- Tá tudo bem com seu filho. Ele está ótimo!! Não vejo necessidade de meu acompanhamento já que ele faz acompanhamento com uma psiquiatra, que pelo que me descreve, é excelente (verdade), ele não tem convulsões, não precisa de medicação, é calmo, assim que tiver os outros exames você deixa eles aqui que eu ligo para você sobre os resultados. Ele precisa de uma psicóloga (pra que? Não explicou), mas creio que pelo plano....hummmmm.... não sei!! Os planos de saúde estipulam quantidade de atendimento, não vai valer a pena (expressão derrotadíssima)."

Assim, lá se foram mais quatro meses.
Nunca achei que a médica resolveria os problemas de minha vida, talvez SER médica resolvesse, ou talvez não.
Além de esbarrar na questão financeira para o tratamento do meu filho, esbarro na questão geográfica. Em minha cidade não tem.

As cobranças vem e as pessoas nem percebem que, às vezes com perguntas mais incisivas, de que quem sabe pouco sobre o assunto, ou até mesmo sobre lutar.
Não me importo de responder NADA sobre autismo, inclusive sobre PORQUE MEU FILHO NÃO TEM TRATAMENTO ADEQUADO MERECIDO E GARANTIDO POR LEI (e deveria ter).
Acontece que muitas vezes as respostas não serão satisfatórias para você, mas pare para pensar: Imagine para mim, a mãe!!!
O que fazer agora?
Claro que eu vou pegar a guia de encaminhamento ao psicólogo e ir atrás de alguma qualidade de vida para meu filho.
Mas é importante saber que abordagem o profissional irá utilizar.
Mais importante: em que cidade ele irá atender meu filho já que é quase certeza de que em minha cidade não tem.
Tudo sempre esbarra na mesma situação!!!
Eu sei que eu que tenho que resolver isso.
Eu sei que eu vou ter trabalho.
Eu sei que estou dando voltas e sempre esbarro na mesma questão.
Eu tenho que criar.
Nesse momento, estou num momento de criação.
Tenho ideias, tenho sonhos, projetos imensos, faltava o essencial, mas parece que consegui.
Não, não vou dizer claramente o que farei, realmente nem sei!!
A vida tem sido generosa comigo.
Desse período todo, somente as pessoas diretamente envolvidas na rotina diária de Artur foram suficientes para colaborar e muito no seu desenvolvimento.
Se com o tratamento 'adequado' e qualificado tudo ficaria melhor???
Não tem como saber, não é??
O autismo é algo muito novo para muita gente, mas não tão importante.
E eu, Roberta Evangelista, apenas pretendo tornar isso diferente.
Tenho sérias pretensões, grandes ideais, uma capacidade de realização incrível, mas, certas coisas a gente só tem certeza tentando, não é?
Então, agora é assim.
Estou tentando.
E o que eu conseguir, assim como tenho feito nesses quatros, dividirei com vocês.


Beijos!!


 
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O ano passou e nós crescemos


Acho que antes de ler o que irei escrever, seria importante
vocês lerem aqui:


http://viagem-de-mae.blogspot.com.br/2012/06/decepcoes-e-e-so-o-comeco.html

Eu li tudo, não senti tristeza. Tive a sensação de assunto encerrado.
Tenho me sentido tão adulta ultimamente, um maturidade tão grande para enfrentar as coisas, mas lendo esse texto, não tenho como não agradecer a Deus como tudo nossa vida mudou para melhor.
Meu filho não usa mais fralda, não fica mais assado, toma leite de vaca, pede para ir ao banheiro, a estagiária aprendeu tanto que Artur e ela são amigos de infância, a Diretora é outra, a inclusão tem sido preocupação e investida na minha cidade, eu consigo levar meu filho para a escola e não tenho mais medo de levá-lo à escola, aliás, atualmente tenho o levado todos os dias, de coração aberto.
Eu cresci!!!!
Eu não me calei!!
Eu fui madura naquele momento e isso foi fundamental.
Mas, não sou de ferro.
Estamos em JULHO.
Dia 12 teremos festa JULINA.
Como não sentir medo??
Tenho sim, mas é pequeno.
Meus receios são outros hoje.
Como ele vai reagir no meio de tantas pessoas? Afinal a festa será à noite, aberta ao público em geral.
Realmente eu não sei a resposta, mas quero sim, uma foto fofa do meu anjo azulado com bigodinho falso, camisa xadrez e esquecer de uma vez por todas esse dia 27 de junho de 2012 que ainda enche meus olhos de lágrimas........
Prometo compartilhar com vocês!!
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Tome remédio você!!


Tem muitos anos que penso em fazer essa postagem, mesmo sendo totalmente impulsiva e formadora das minhas próprias opiniões e sempre buscando embasamento, achei que não era o momento certo.
Muito interessante isso. Pq nunca imaginei que falaria sobre isso dessa forma.
Hoje me vejo pronta para falar sobre os tão temidos REMÉDIOS.
Na primeira fase do autismo, aquela onde você procura de tudo: médicos, terapeutas, milagreiros e tudo mais. Muitos psiquiatras oportunistas e totalmente financiados pelas indústrias farmacêuticas, além de cobrar absurdos em consultas médicas para colocar um CID num papel, aproveitam-se da fraqueza e do momento de desespero dos pais para dar a tão temida receita: RISPERIDONA.
Também acho que Deus, em sua infinita sabedoria, nunca fez com que eu me deparasse com um médico desse, porque a briga ia ser feia.
Não creio em curas milagrosas, não sou naturalista  e muito menos menosprezo o trabalho de quem buscou qualidade de vida para nossos filhos criando esse e outros remédios.
Mas comigo NÃO!!!!!
Eu, bipolar como sou, NUNCA me adaptei a remédio algum.
Recebi o diagnóstico de 3 psiquiatras, transtorno bipolar também não tem exame e todos foram enfáticos no diagnóstico. Não discuto mais.
Me enquadro perfeitamente nos sintomas, não nego, mas é inquestionável que comigo medicação não funciona.
Depois de 3 anos, de pura enganação, de tentativas desastrosas incluindo alergias e efeitos colaterais detestáveis e até pesados para contar num blog que eu tento fazer que seja doce, eu tive.
Nunca, no meu caso, em momento algum, o custo/benefício compensou, meu médico desistiu de medicação comigo e decidiu me avaliar sem elas.
Acordar tonto, precisando se apoiar pelas paredes, dores de cabeça, irritação, enjoos, angústia, foi tudo o que eu senti quando tome medicações.
Carbamazepina, Haldol, Flouxetina, Lítio, Sertralina, Rivotril, Lamitor, nada, nada disso me ajudou, aliás, só agravou meu quadro e em um dado momento foi desastroso. Quase colocamos tudo a perder.
Artur não dormia.
Já ficamos 3 dias e 3 noites sem dormir.
Saindo às 3hs da manhã de casa para uma consulta médica por conta do transporte oferecido pela Prefeitura, sem grana para o almoço, sempre tudo muito difícil.
A primeira neuropediatra receitou Neoleptil para o sono.
Dei uma noite, duas noites e caí em si.
Como posso ter coragem de fazer meu filho sentir tudo o que eu senti??
Doei o remédio.
Não sou à favor de medicação para o autismo,somente depois que todas as outras possibilidades foram esgotadas.
Rotina, terapias, lar tranquilo, momentos de prazer, preparo para o sono, aquele igual como fazemos com recém-nascidos.
Instituir uma rotina da hora em que ele acorda,até a hora de dormir foi fundamental para nossas noites de sono.
Artur toma um banho, ouve sua música favorita e dorme, em 5 minutos. Ele já conhece os horários, as sequências e se você não faz, ele cobra.
Ver meu filho dormir em paz e acordar sorrindo, ou com preguiça de ir para a escola me traz uma satisfação sem tamanho, não é apenas a paz de poder dormir, mas a paz de ver que meu filho não precisa dos remédios.
Depois dessa neuropediatra, nenhum outro psiquiatra viu a necessidade de medicação e eu também não vejo.
Daí, estava tudo resolvido.
Nãooooooooooooo!!!
Eu não dormia.
A vida, a rotina, as preocupações, tudo me tiravam o sono.
Eu não conseguia dormir.
Vivia deprimida, chateada, sem vontade de nada, os problemas tomavam meu tempo, meu sono e eu parecia um zumbi.
Em 3 anos de tratamento com o psiquiatra sempre relutei com remédios para dormir.
Claro que eu sou contra os efeitos colaterais, mas a desculpa que usava era a de que Artur ainda é como um recém-nascido, acorda à noite, chora, tem pesadelos, como eu vou tomar um remédio para me 'apagar'?
E ele deixava de lado.
Mês passado eu desisti.
Achei que valia a pena tentar.
Pedi uma receita, falei que precisava dormir.
A receita?? Rohypnol.
Morri de rir quando descobri que é o famoso boa noite Cinderela.
Relutei em comprar, acho que foram 12 dias depois da consulta. 
Mas criei coragem e numa compra grande na farmácia, incluí do tal remédio.
Esperei um feriado prolongado para testar e tomei.
Foram 3 noites onde ao acordar pela manhã senti-me renovada.
Comentei de brincadeira que se tivéssemos mais uma noite tão aconchegante juntos, eu celebraria um casamento.
E na quarta noite, firmamos um compromisso.
O que ficou mais evidente nisso tudo, é que todos os meus problemas eram pela falta de dormir.
Claro que o efeito colateral do remédio é me deixar no 220W, mas dormir, uma noite inteira, conseguir acordar para atender as necessidades do filhote e conseguir dormir rapidamente novamente, não tem preço.
A conclusão que cheguei é de que nunca o problema foi meu filho, suas dificuldades noturnas foram resolvidas com uma rotina fofa de sono e o problema era EU.
Lembro-me de uma vez perguntar a uma mãe: Afinal, quem precisa realmente desse remédio??
Sua filha, ou você???
Não, não digo que você não deva dar remédio para seu filho.
Existem casos que sou totalmente favorável e um deles é na auto-agressão.
Mas não posso negar que creio que o ambiente também interfere e muito no comportamento do autista.
Tentar manter a ordem do lar, batalhar por qualidade de vida para a família inteira é muito mais importante do que uma receita azul.

O que eu recomendo???
Se eu for grossa, digo: Tome o remédio primeiro você. Sinta o efeito dele, se achar que os efeitos colaterais valem a pena, dê.
Mas, sendo gentil eu digo: Dê, mas somente depois de ter esgotado tudo o que for possível.

No meu caso, quem precisava de remédio para ter um lar estruturado e uma família feliz, era EU!!

Pensem nisso!!!

Beijos
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